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07. Kankaripa

O Viúvo Inconsolável

Minha consorte dakini, minha rainha, minha senhora,
Pura atenção desperta feita visível,
Espaço vazio feito tangível.
Ligada a mim ainda assim não parte de mim,
Jazes além das palavras, além das comparações.

Kankaripa era um homem do povo, um simples habitante de casta baixa. Como apropriado a seu gênero, casou com uma garota de seu próprio status e estabeleceu-se. Com as revelações da cama conjugal, todas suas energias focalizaram-se na realização do êxtase sexual. Tornou-se um sensualista que experimentou bem-aventurança inimaginável. Entre estes picos passageiros, ele admirava seu feliz cantinho, certo de que apenas este mundo satisfaria todos seus desejos.

Mas a Roda da Vida virou em seu curso, e poucos anos depois, em meio à alegria e juventude, sua amada esposa chegou a seu tempo determinado e morreu.

Perplexo e confuso, incapaz de compreender este relâmpago de total perda, o viúvo carregou o corpo a um terreno de cremação. Ali sua mente e vontade desistiram completamente. Cadáver nas mãos, caiu sobre as cinzas, recusando entregar o corpo da amada às chamas.

Um iogue por acaso estava passando. Ele sentou ao lado do jovem inconsolável e perguntou, "O que há de errado?"

"Arranca meus olhos, mas trás minha esposa de volta," gemeu o viúvo.

"Toda vida termina em morte," disse gentilmente o iogue, "assim como cada encontro termina em despedida. Todos os compostos se desintegram. Abraçar-se àquele cadáver não é diferente de abraçar-se a um punhado de barro. Todos neste mundo samsárico sofrem. O sofrimento é a natureza da existência. Em vez de chorar teu destino, por que não praticas o darma e ascende sobre a dor?"

"A minha mente está girando," disse o viúvo. "Não consigo pensar claramente. Por favor me ajuda."

"A instrução do guru é o caminho para a iluminação," respondeu o iogue.

"Então por favor me dá a instrução," chorou o jovem.

O iogue o iniciou e concedeu poder nos preceitos da essência semente sutil que não têm nem centro nem circunferência. A amargurado esposo foi instruído a meditar sobre sua esposa como uma dakini, a vacuidade, o prazer indivisível que não tem substância ou ser.

Ele passou seis anos em profunda contemplação. Como resultado, todos os pensamentos de sua falecida esposa como uma mulher de carne e sangue transformaram-se num estado puro de prazer e vacuidade. Enquanto a aurora da clara luz surgia interiormente, as nuvens em sua mente dissolveram-se e ele veio a perceber a realidade da verdade imutável. Na mesma forma que a planta datura traz sonhos e alucinações e as leva embora quando deixa o corpo, assim a delusão, perplexidade, e desconhecimento deixaram seu corpo.

Através de tais esforços, este homem comum atingiu o estado de mahamudra-siddhi e tornou-se conhecido no mundo como Kankaripa, "O Siddha do Cadáver." Durante os anos anteriores a sua ascensão ao Paraíso das Dakinis, ele abriu muitos corações e mentes à palavra do Buda.

Traduzido por Padma Dorje em 1999, a partir de Masters of Mahamudra e Buddhist Masters of Enchantment, de Keith Dowman, Buddha's Lions: The Lives of the Eighty-Four Siddhas, de Abhayadatta, traduzido por James B. Robinson e Empowered Masters, de Ulrich Von Schroeder. Por favor envie sugestões e correções para padma.dorje@gmail.com. Alterado em 2013-11-20 01:28:50.





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