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04. Dombipa


Aquele que Cavalga uma Tigresa

A pedra filosofal
Transforma o ferro em ouro;
O poder inato do Vajra
Transforma as paixões em consciência pura.

Dombipa foi um rei de Magadha. Ele foi iniciado pelo Guru Virupa na mandala da deidade Hevajra. Através da prática da meditação em Hevajra ele vivenciou a realidade da deidade e atingiu realização e poderes mágicos.

O rei iluminado tinha por seus súditos o mesmo carinho de um pai pelo seu filho único, mas o povo não tinha ideia alguma de que o rei era um praticante espiritual. Mesmo assim todos concordavam que se tratava de um homem honesto com uma propensão natural para tratar bondosamente os súditos.

O rei fez um plano para rechaçar de seu reino todo medo e pobreza. Ele invocou seu ministro, o encarregando desta forma: "Nosso país está tomado de bandidos e ladrões, e devido a nossa negligência no passado, nosso carma tem nos feito muito pobres. Para nos proteger do medo e da miséria, forje um enorme sino de bronze e o pendure numa árvore muito forte. Então, quando ver perigo ou pobreza, toque o sino." O ministro acatou as ordens do rei, e enquanto durou seu reino, Magadha esteve livre do crime, da fome, das doenças e da pobreza.

Algum tempo depois uma trupe de músicos andarilhos chegou na cidade para dançar e cantar para o rei. Um dos músicos tinha uma filha de doze anos de idade, uma virgem ainda inocente perante o mundo sórdido ao seu redor. Ela era completamente adorável, com uma rosto muito belo, de qualidades clássicas, e era olhar para ela para se apaixonar. Ela tinha todas as qualidades de uma padmini, uma filha da lótus, a mais rara e mais desejável de todas as garotas. O rei decidiu tomar essa garota como sua consorte espiritual, e em segredo ele ordenou que o cigano a entregasse a ele.

"Você é o grande rei de Magadha," respondeu o homem. "Você comanda oitocentos mil famílias com tanto luxo e beleza que já descohece completamente o outro lado da vida. Nós somos ralé, de casta inferior, desprezados e rejeitados por todos. Como algo assim pode sequer passar pela sua cabeça?"

O rei insistiu. Ele lhe deu o peso de sua filha em ouro, e a tomou como sua consorte espiritual. Por vários anos ele a manteve escondida, mas após doze anos todos vieram a saber de sua existência. "O rei tem por consorte uma mulher sem casta," era o rumor que se espalhava como fogo pelo reino, e apesar de sua magnanimidade por todos aqueles anos, essa sua conduta não foi tolerada pela comunidade. Assim o rei foi forçado a renunciar. Confiando seu reino a seu filho e a seus ministros, ele partiu para a selva com sua amante de casta inferior, e num eremitério idílico eles seguiram praticando sua ioga tântrica por mais doze anos.

Enquanto isso o reino caiu em desgoverno. A qualidade de vida diminuiu e a prática da virtude foi decaindo até um nível muito baixo. Um conselho concordou em pedir que o velho rei retornasse ao governo, uma delegação foi enviada até a selva para encontrá-lo. Quando finalmente encontraram o eremitério, vislumbraram o rei à distância sentado sob uma árvore, enquanto sua consorte caminhava sobre folhas de lótus no meio do lago, de onde ela captava um néctar refrescante de uma profundidade de alguns metros sob a água, para oferecer ao seu senhor. Os observadores ficaram extremamente surpresos, e retornaram imediatamente à cidade para relatar o que haviam visto. Então outra delegação foi enviada com o convite da população, e o rei o aceitou, concordando em retornar.

O rei então, em união com sua consorte, veio da selva cavalgando uma tigresa prenhe, exibindo gloriosamente uma cobra venenosa como chicote. Depois de se recomporem de seu medo e surpresa, imploraram a ele que tomasse as rédeas do governo mais uma vez.

"Perdi minha estatura ao tomar uma mulher sem casta por consorte," ele lhes disse. "Não seria adequado que eu retornasse a minha posição original. Porém, já que a morte acaba com todas as diferenciações, nos queimem. Em nossos renascimentos teremos sido absolvidos."

Uma grande pilha de sândalo de cabeça de vaca foi construída, e depois do rei e sua consorte assumirem seu assento ao topo da pilha, ela foi acendida. A pira queimou por sete dias, e quando esfriou o suficiente para permitir aproximação, o povo os encontrou brilhando, como se cobertos de orvalho, na forma ilusória espontaneamente surgida da deidade Hevajra em união com sua consorte, no coração de um lótus totalmente desabrochado. Nesse momento os últimos vestígios de dúvida foram removidos das mentes da população de Magadha, e eles começaram a chamar seu rei de Dombipa, que significa Senhor da Dombi.

Saindo do fogo, o rei se dirigiu aos ministros e a todo povo das quatro castas reunidos ali. "Se me imitarem, permanecerei para governá-los. Se não ajudarem a si próprios, eu não permanecerei para ajudá-los."

O povo ficou em estado de choque, e responderam dizendo "como faríamos isso?" "Como poderiamos abandonar nossas casas e famílias? "Não somos iogues!"

E o rei se dirigiu a eles novamente, "O poder político é de pouco benefício e o mau carma gerado é enorme. Aqueles que possuem autoridade não conseguem fazer muito o bem, e muito frequentemente, pelo contrário, o dano que flui de suas ações acaba em miséria para todos a longo prazo. Meu reino é o reino da verdade!"

Assim ele falou, e naquele instante de imortalidade ele atingiu o reino puro das Dakinis, onde permanece pelo bem da consciência plena e do deleite imaculado.

Traduzido por Padma Dorje em 2010, a partir de Masters of Mahamudra e Buddhist Masters of Enchantment, de Keith Dowman, Buddha's Lions: The Lives of the Eighty-Four Siddhas, de Abhayadatta, traduzido por James B. Robinson e Empowered Masters, de Ulrich Von Schroeder. Por favor envie sugestões e correções para padma.dorje@gmail.com. Alterado em 2013-11-20 01:26:52.





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