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Viver o Momento

This article has an English counterpart. (Este artigo tem uma versão em inglês).

Meditador do capitalismo tardio.

“Viver o momento” sem mérito, é viver no samsara.
É viver um momento de merda.

“Viver o momento” sem inteligência, é viver como um animal.
É consumir autoajuda barata — o lixo espiritual de um Eckhart Tolle.

“Viver o momento” obcecado por não conceitualidade, é ser pedra.
É viver o romantismo zen da “não mente”, como o do fajuto D. T. Suzuki.

“Viver o momento” como um adolescente rebelde é proliferar conceitos, “momento”, “vida”, “experiência” — enquanto se cultiva a ilusão de ser não conceitual.

“Viver o momento” como um slogan de shopping, é chutar uma Stupa.
É reduzir o Buda a um coach de produtividade.

“Viver o momento” sem sabedoria é o catecismo secular de Stephen Batchelor.
O estéril budismo sem-crenças de Oxbridge — apagamento cultural reembalado como apropriação radical.
Uma pausa colonial para o chá, flanqueada por incontáveis renascimentos de confusão.

“Viver o momento” sem refúgio no Buda é McMindfulness.
É cultivar a mente para seguir destruindo o mundo com mais eficiência.
É ser um meditador do estágio tardio do capitalismo.

“Viver o momento”, sem linhagem, é só relaxamento.
Um suspiro breve que some no ar e não deixa vestígio.

Ir além de passado, presente e futuro — não se distrair, sem esforço — requer oceanos de mérito, sabedoria que transpassa ilusões e devoção pura a uma linhagem autêntica.

Não é uma meditação momentânea,
Não é um cultivo deliberado.
Não se compra num app.

Quando a mente se desembaraça — além da própria ideia de meditação, dominar uma técnica ou fazer uma prática — não sobram conceitos de “momento” ou “vida e morte”.

Abertura total às instruções diretas.
Sem esperança, sem medo.
Liberdade além de causas e condições.

Quando isso não acontece?
Seguimos acumulando mérito.
Seguimos cultivando sabedoria.
Keep going.

Padma Dorje, 2020.

Gambiarras da McMindfulness

esfera/sphere


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