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Conversa sobre saber causas específicas

Marty McFly feliz por encontrar o Grays Sports Almanac.

Num vídeo sobre interdependência você falou que saber as causas específicas de um carma faz parte dos ensinamentos mais obscuros do budismo.

Do jeito que você falou tem certa ambiguidade. Não é que o Buda tenha ensinado sobre como atingir esse conhecimento, ele falou que esse conhecimento das especificidades das causações é o mais obscuro, isto é, o mais difícil de conseguir. Não é o ensinamento do Buda a respeito disso que é obscuro, é o conhecimento em si dos fenômenos específicos que é difícil mesmo. Até onde eu saiba, não tem um ensinamento próprio do Buda para conhecer fenômenos específicos, só a recomendação de não buscar isso.

Isto é assim porque não se obtém liberação aprendendo sobre coisas específicas, bem como outras coisas que se pode aprender de forma bem mais fácil, como vacuidade, levam à liberação. Então é desencorajado. Porque se você tem voto de bodisatva, você reconhece que a mera curiosidade não ajuda os outros, o que ajuda é você atingir a liberação para benefício deles. E você também, por compaixão pelos seres, deve almejar atingir a iluminação de forma rápida, e não perder tempo com coisas que podem não levar a iluminação, ou pelo menos são muito mais tortuosas e lentas.

Você também disse nesse vídeo que é considerado mais proveitoso buscar uma compreensão da vacuidade do que buscar causas específicas. Gostaria de saber se isso é unanimidade no budismo (em especial no tibetano), e se há escolas que buscam dar um olhar pra esse ponto com um privilégio mais próximo à compreensão da vacuidade.

Não é ensinado como uma prática em nenhuma forma de budismo. A questão dos fenômenos extremamente obscuros, essa classificação, é ensinada para a pessoa refletir que o tempo dela é curto, e se ela se dedicar a conhecimentos mundanos, mesmo dentro do escopo do que parece budismo, ela está perdendo tempo. Perder tempo não é ruim só pra ela, claro, uma vez que em todo o mahayana, e, portanto em todo o vajrayana, que aceita o mahayana na sua completude, perder tempo equivale a não ajudar os seres sencientes que foram todos eles suas mães (mesmo que você não lembre exatamente em que contexto e de que jeito), e que agora estão com o cabelo pegando fogo no samsara. E daí você tá ali olhando pro próprio umbigo querendo entender como você chegou em causas e condições específicas, ou no máximo você quer saber porque o cabelo daquela pessoa tá pegando um fogo azul e não vermelho... em vez de efetivamente estar preocupado em ajudar ela a apagar o fogo.

O próprio Buda tem um símile de uma pessoa que levou uma flechada no olho, e em vez de procurar tratamento, ela fica querendo saber quem foi, porque aconteceu, e também fazendo filosofia. Especulando e buscando coisas que não vão ajudar na questão real que ela está vivendo naquele momento.

Quando eu falei que era um conhecimento obscuro, você achou sei lá, que eu estava me referindo a ser um ensinamento secreto, difícil de encontrar. Não, o fenômeno em si é difícil, a particularidade é difícil, não é algo que diz respeito a ensinamentos.

Vacuidade, por outro lado, é o ensinamento geral. Todos os fenômenos são vazios, nisso eles são iguais, e sabendo isso, você sabe algo sobre absolutamente todos os fenômenos. Não suas redes de causação em detalhes, mas o que eles realmente, no fundo, são.

...

Não consigo achar concebível acreditar que o conhecimento de causas específicas não cause liberação.

Muito simples. Todos os fenômenos estão interligados.

Então 1: para, se você precisasse entender completamente um fenômeno, e não apenas a vacuidade dele, para você atingir a iluminação, você precisaria aprender turco, arrumar máquinas de lavar, fazer neurocirurgia, cantar ópera e pilotar submarino. Antes disso tudo, você não ia se iluminar.

Então 2: é o mesmo que dizer: você precisa fazer doutorado em estatística, e então você pode aprender a calcular o porcentual do juro na sua compra a prazo. Se calcular o porcentual do juro levasse à liberação, fazer doutorado em estatística, com este fim, seria uma besteira total.

As pessoas conhecem algumas causas específicas, até certo ponto, nós sabemos o que causa um tomateiro, sementes de tomate, terra adubada, etc. Isso não ajuda em nada na iluminação. Pode haver uma questão sobre saber todas as causas específicas, mas aí o atalho é a vacuidade — porque no fundo, todas as coisas se anulam na dependência uma das outras, independente de exatamente por que forma elas fizeram isso. Assim, se você conhece vacuidade, você conhece o exato mesmo fim de entender todas as especificidades, sem precisar entender cada uma delas. É zigalhões de vezes mais fácil, mais efetivo, eficiente, benéfico, apropriado, compassivo e basicamente melhor.

Se eu souber a causa do sofrimento de maneira específica e experimentada, o que eu vou fazer é basicamente mudar o que eu sou.

Embora parte do treinamento assuma que devemos transformar a mente — como preparação —, atingir a liberação em si não envolve alterar qualquer coisa, quem tem o impulso de alterar é a mente samsárica. Quando se entende que a natureza imutável das coisas é que elas dependem umas das outras, isto é, vacuidade, você possui esse eixo que não é diferente do próprio refúgio no Buda. De outra forma, mesmo em termos do budismo, você poderia dizer “eu preciso entender todos os ensinamentos para saber se quero ou não tomar refúgio”, mas obviamente isso é impossível, e não é necessário. Basta você atingir uma confiança suficiente nos ensinamentos que sua tomada de refúgio fica bastante possível e adequada.

Poderei mudar meu comportamento, minhas atitudes, meu modo de ver o mundo. Sabendo causas específicas de forma experimentada eu posso simplesmente mudar para uma natureza iluminada baseado no que eu sei que não causa sofrimento.

Não se muda para uma natureza iluminada, ela não é produzida por causas, então ela não é uma coisa que você produz ou cria, é uma coisa que você reconhece. E você não precisa aprender grego nem mesmo para chamar um táxi na Grécia, que dizer para atingir a iluminação. Agora, se você quer saber a causa específica de porque você tem, digamos, repulsa por alpacas, como todos os fenômenos são interligados, para saber isso, você vai precisar saber grego, como fazer cerâmica e todos os tipos de milhos plantados na América antes da colonização.

Por outro lado, o mero conhecimento de alguma coisa geralmente não é suficiente. Como o impulso de alterar segue mesmo quando a pessoa entende o que é liberação e porque ela é tão importante, apenas saber sobre liberação não leva a liberação.

Da mesma forma, apenas saber coisas específicas não vai ser suficiente sequer para fazer as alterações que você presume erroneamente façam parte integral do caminho da liberação.

O que percebo é que o budismo aparenta talvez ter uma postura que soa muito evasiva.

O darma só é entendido e praticado de acordo com o darma. Se a pessoa tentar praticar o darma com base em qualquer entendimento aleatório que ela acha que tem, não tem darma nenhum para praticar. Então o darma é evasivo quanto ao que vai se tornar um obstáculo ao darma, é óbvio. Afinal de contas, a gente busca beneficiar os seres, existe essa preocupação, não é uma questão de simplesmente porque talvez seja possível, deva ser feito. E, por outro lado, algumas vezes quando se responde certas coisas, a expectativa vem de um lugar errado, então se você não for evasivo quanto a expectativa da pessoa, você está ajudando ela a se enredar ainda mais em suas preconcepções — e algumas vezes se você for muito direto e disser que a pessoa está praticamente totalmente errada, isso não é um meio hábil também, porque como pessoas humanas temos a tendência de simplesmente descartar o que nos contraria muito fortemente.

Então o maior benefício possível a ser dado a um ser não é justamente a possibilidade de se conhecer as causas específicas do seu próprio sofrimento para assim concluir, por si mesmo, o seu caminho para a liberação?

Se ele estiver ocupado de saber do seu próprio umbigo, até o último átomo, ele só vai reificar ainda mais o eu. Um conhecimento geral e menos específico é mais útil aos outros, e assim, o caminho bodisatva implica ensinar de forma geral, não específica. É claro que, numa conversa privada, um professor pode falar isso ou aquilo de acordo com as inclinações gerais do aluno – gerais suas, mas próprias. Mas mesmo um grande guru não vai fazer micromanagement sequer dos seus problemas pessoais atuais. Ele não vai se meter em cada mínimo aspecto da sua vida, ele vai dar um ensinamento num espectro de generalidade, com alguma especificidade para suas inclinações, mas sem nenhuma granularidade atômica que trate de “tudo que diz respeito a você”. Se ele fizesse isso, se é que ele seria capaz disso, ele nunca conseguiria sequer ajudar uma única pessoa.

Outro exemplo da futilidade disso. Se você quer ser fisiculturista, levantar muito peso. Então você começa erguendo dois porta-aviões de 80.000 toneladas?

Não. Você nem mesmo aspira erguer tais pesos. Você começa com pequenos pesos, e então, você vai erguer pesos adequados, tais como em torno de sei lá, 300kg, que é seu objetivo. Se o seu objetivo é ser o Super-homem, daí voar e erguer porta-aviões talvez possa fazer sentido, mas isso é só história em quadrinho. Ninguém realmente pensa que há um método para virar o Super-homem, só talvez alguém internado num sanatório.

O budismo foca na experiência, isto é, ele é pragmático. É sua experiência agora, ignorante, não é uma busca desmedida por saber coisas. A maioria das coisas que se pode saber, sobre si próprio e sobre qualquer outra coisa, são inúteis para o caminho da iluminação.

Essa é, de fato, talvez uma ideia de uns gregos ou um povo do deserto antes de qualquer vislumbre de complexidade. Eles achavam que eles já entendiam tudo que podia ser entendido. Essa era a ideia de perfeição ou iluminação de talvez alguns deles. Mas isso é só um engano, já era um engano milhares de anos atrás, e segue sendo um engano hoje.

Se a pessoa não vê por si mesmo, pela experiência, a causa do que causou seu sofrimento, não basta ela usar isso para mudar?

Para se liberar, você quer dizer. Ela não precisa de nenhum conhecimento específico. Por exemplo, basta saber que causar sofrimento aos outros causa sofrimento a si mesmo para entender a parte mais essencial do carma. Ela não precisa conhecer todas as formas possíveis de causar sofrimento aos outros, nem mesmo todas as formas possíveis que ela executou em suas vidas incontáveis. Ela só precisa saber que causar sofrimento produz sofrimento nela e nos outros. Mesmo saber isso, no entanto, não é muito fácil, uma vez que temos muitas dúvidas causadas por nossos obscurecimentos intelectuais. Então talvez até mesmo isso leve muitas horas de reflexão para entender e aceitar num nível que vá permitir prática e liberação.

Na verdade, um conceito importantíssimo é o “conhecendo-se um, se conhece a todos”, isto é, conhecendo um fenômeno, todos os outros são conhecidos. Qual é o fenômeno? A vacuidade. Se você a conhece, não é que você saiba todos os detalhes, mas é que todos os detalhes são vistos como já sempre foram, bobagens. Outra expressão que surge é “além de características”, se a pessoa tem fixação a característica, detalhes, especificidades, aí ela nunca supera os níveis inferiores de bodisatva, porque ela está trocando o “conhecimento único que supera todos os outros possíveis conhecimentos” por aspectos temporários.

Por que no fim tudo isso vai levar para uma evidente evasão da necessidade de submeter a teoria do carma à experimentação. Tudo isso vai levar a um furo epistemológico nela devido a não haver qualquer justificativa cabível para a ausência de memória de existências passadas.

Ao que me parece, o cérebro apodrece, algumas vezes até em vida, e também se você leva uma pancada, você algumas vezes perde algumas memórias. Então “memória”, de forma geral, é uma coisa que está nessa teia orgânica que já está ficando velha e apodrecendo em você neste exato momento, e que logo logo já vai virar adubo. Se a pessoa confia em memórias ou especificidades, nunca vai encontrar liberação. E nem vamos entrar no problema epistêmico inerente da própria memória, com memórias inventadas, mudanças no que se lembra, e aí vai.

Quando ocorre de algum professor lembrar certas coisas mais específicas de uma vida passada, isso é considerado, mesmo para estes povos onde o renascimento não é duvidado, um grande milagre. Todo mundo fica surpreso. As pessoas pensam, “puxa, ele lembrou que óculos ele usava 40 anos atrás, que coisa extraordinária”, e isso desperta fé nas pessoas. Se ele porventura lembrasse o que comeu na segunda-feira, dia 12 de agosto de 1993, 40 anos atrás, não ia haver sequer alguém para confirmar ou se espantar com isso. É quase a mesma coisa que lembrar o que você comeu 10 dias atrás, se você costuma comer coisas diversas. É quase tão difícil quanto inútil quanto colocar umas vidas passadas nisso, e sem dúvida, muito surpreendente se você conseguisse, mas ninguém nem mesmo entenderia isso. Nem mesmo você teria como ter certeza da sua memória.

Se o carma armazena uma “memória de ações”...

Na madhyamaka não tem nenhum armazenamento em lugar algum. Uma coisa leva a outra, sem nenhum lastro ou registro. É parecido como escrever na água, tem alguma marca temporária, e talvez alguma ideia de ponto A e B, devido a posição atual do dedo. No budismo tibetano a madhyamaka é considerada superior a formas que projetam, e mais que isto, reificam, alguma espécie de “armazém de acontecimentos”. De fato, na experiência meditativa de algumas pessoas, elas vislumbram algo que parece com esse armazém. Mesmo essa experiência sendo considerada suficientemente “real” por algumas pessoas, todas as formas de budismo tibetano aceitam que é um obstáculo meditativo considerar essa experiência algo real, no sentido de sólida e não vazia.

A inconsciência dessa memória não tem nada de produtivo ou justificável. Nada. Absolutamente nada.

Quando você diz “produtivo” você está falando como um teísta que pensa que as coisas existem para uma finalidade e foram desenhadas desse ou daquele jeito. Na visão budista o Buda não é responsável pelas coisas serem como elas são, don’t shoot the messanger, ele só relata como as coisas são, e sinto muito se a realidade não corresponde a nossas expectativas.

E para mim esse deveria ser justamente o ponto de partida de qualquer possível discussão sobre o carma: afinal, por que exatamente não nos lembramos?

Esse tipo de indagação não se parece com Darma do Buda, se parece mais com espiritismo — que não é uma coisa que se assemelha ao Darma do Buda, embora fale de “reencarnação”, um termo que tem sido evitado por budistas.

Nós não lembramos porque as memórias mesmo em vida, são contingentes, impermanentes, imperfeitas, distorcidas, duvidosas, incompletas e dependentes de causas e condições elas mesmas. Inclusive uma condição de muitas delas é um substrato tal como partes ou estruturas do cérebro, que evidentemente já nascem sendo corrompidas pelo próprio processo de nascer.

Nunca ví, até hoje, alguma justificativa que não seguisse algum viés de confirmação,

A memória tá na caixola, não sejamos estúpidos. Se eu esqueço algo em vida, se eu posso ter alzheimer, que tipo de justificação circular é essa? Memória é uma experiência temporária produto de uma cadeia de adaptação biológica, que surge e cessa o tempo todo em vários lugares, tem vários tipos de imperfeições, distorções e lacunas. É que nem você dar um boot num computador, daí você tem as mesmas coisas, mais ou menos, que estavam lá na última vez que você viu, nesse meio tempo você pega um vírus, aí um dia você liga o computador, e, se você não foi muito cuidadoso em fazer backup e mandar as coisas pra nuvem, pluft, tudo desapareceu. O computador, se você limpar bem, segue intacto. Sua dissertação e suas 10.000 horas de trabalho nela acabaram de ir para algum buraco negro e são irrecuperáveis.

Eu já perdi arquivos. E eu já perdi memórias. E eu nem apodreci completamente ainda.

Na verdade, esse foi, até hoje, o tópico que eu menos vi ser desenvolvido em tudo que já tive acesso em termos de budismo.

Carma não se estuda sob esse ângulo. Carma se estuda sobre o ângulo, “porque você tá mal agora”, e aí você sabe, porque você ferrou antes. Porque você tem certas facilidades e qualidades? Porque você fez boas coisas para os outros. Só isso. Você não precisa nenhuma especificidade. O máximo que você precisa é uma lista de preceitos, tipo, não matar, não roubar, não cometer conduta sexual indevida, etc. Essa é a reflexão sobre carma.

A reflexão sobre existência cíclica, por outro lado, não explica “como são as coisas”, mas porque todas as coisas são sem sentido e fúteis, sem a liberação. Se você tiver um outro foco que não seja o darma, você não vai ser capaz de entender o darma de acordo com o darma. E aí simplesmente não tem darma nenhum para você. E não é porque eu estou dizendo que é assim, ou assado. Você pode verificar se é isso que é dito, mas se você tiver alguma expectativa sua, customizada, isso só vai gerar obstáculo e uma mente preconceituosa ao examinar o darma. Todos temos isto, porque temos nossas tendências habituais, mas precisamos reconhecer e abandonar essas expectativas que vem de como “queríamos” que o darma, ou as coisas mesmo, fossem. Normalmente as coisas não estão nem aí para nossas expectativas, e o darma também é assim.

vítimas de todo tipo de violência possível e imaginável, racismo, LGBTFobia, transtornos de ordem física e mental dos mais inimagináveis possíveis, miséria, terrorismo etc. Algo que foge da realidade perceptível para quem cai no estereótipo que você cunhou em um vídeo seu como o “budismo de classe média branca”.

Mas isso não é darma. E de fato, se a pessoa não souber que o samsara não tem solução, ela nem tem como tomar refúgio. Resolver estas questões aí são várias buscas mundanas para aliviar sofrimentos mundanos, que tem méritos e deméritos relativos, e num sentido último, importam pouco. Agora, claro, você escova os dentes. Isso vai levar você para a iluminação? Não. Mas é mais fácil viver com dentes um pouco menos estragados, e essa facilidade pode ser útil para você não ter que sair no meio do retiro para um tratamento dentário. Então você cuida, sem prioridade, de questões sociais e outras questões pessoais e comunitárias — e higiene pessoal e dentária —, mas se isso for prioridade, sua mente não está no darma.

Além disso, a reflexão budista sobre insatisfatoriedade e sofrimento vai muito mais longe do que os problemas que estão nos jornais hoje em dia. A gente estuda o problema dos deuses que meditam errado, por exemplo, bem como dos seres nos infernos que sequer conseguem morrer. Entender os sofrimentos nestas experiências muito mais extremas do que os meros sofrimentos prosaicos humanos, que da nossa perspectiva humana parecem tão enormes, é crucial para entender o que é samsara, e também para entender o escopo da liberação.

Mas não há uma humanidade inteira em busca das causas de seus sofrimentos de uma maneira consistente (e consistente, vamos enfatizar bem essa palavra, porque teorias sem resultado já temos aos montes). Ao meu ver, a maneira mais pragmática de se liberar essa humanidade é trazer justamente uma possibilidade de enxergar de forma experimental a causa de seus sofrimentos, independente de doutrinas.

A causa do sofrimento, independente da causa específica, é trazer sofrimento aos outros. Não precisa muito mais do que isso.
Você não precisa conhecer todas as árvores do mundo para saber usar, entender, aplicar e tornar útil o seu uso da palavra “árvore”, e nem mesmo sua pragmática com relação a árvores.

Nenhum biólogo no mundo conhece todas as árvores, cada uma delas. Nenhum conhece nem mesmo todos os tipos. Isto não os impede de fazer um bom trabalho. Parte do trabalho deles é de fato estabelecer taxonomia, saber como lidar com clases gerais dos objetos de estudo deles. E eles fazem isso examinando amostras, nunca todas as especificidades. E acadêmicos e pesquisadores precisam estabelecer também um escopo para seus trabalhos, senão eles não publicam nunca, senão é um estudo diletante e apenas um passatempo. Eles focam em algumas espécies ou tipos de árvores talvez, um tipo específico quem sabe. Uma doença específica num tipo específico. E mesmo essas especificidades tem generalidades embutidas nelas. A doença tem 4 variantes, a árvore varia o fenótipo de acordo com a região climática, etc.

Aliás, cabe aqui tecer um comentário ao fato de que o inferno budista (um possível destino que o carma leva) é descrito como um espaço destinado aos que nutriram “ódio”.

Na minha tradição usamos a tradução “raiva”. Má-vontade, aversão, raiva, ódio. O veneno raiz é descrito como aversão, aí uma forma mais intensa e expressa de aversão, seria a raiva ou o ódio. Também o medo está na mesma classe.

É semelhante à diferença entre uma pessoa orgulhosa e outra arrogante. Uma pessoa algumas vezes consegue esconder em grande parte seu orgulho, talvez até mesmo de si mesma. Já a arrogância é explícita, todos vêem.

Todas essas coisas claro são kleshas, aflições mentais. Os kleshas são a base das formações de hábito que levam a ações negativas que geram carma negativo, e futuros renascimentos ruins.

Ocasionalmente um professor sabe que causa levou a um renascimento, e isso é, novamente, uma espécie de milagre, todo mundo se surpreende. Ele não sabe talvez a causa de todos os renascimentos de todos os seres, mas ocasionalmente, ele vê um ser num tipo específico de sofrimento, e sabe aquela causa. Isso não parece muito planejado, e talvez em alguns casos seja até um tanto espontâneo, de acordo com muitas causas e condições (dele ocasionalmente saber uma causa específica, e mais ocasionalmente ainda achar interessante expressar isso para outra pessoa). Até mesmo essas expressões milagrosas são bastante contingentes.

Considerando que não há memória de existências passadas (ao menos no reino humano), como pensar aqui o ódio que partiu basicamente de vivência de injustiça (que é a maior parte do que produz o ódio)?

Não faz nenhuma diferença. Injustiça é outro conceito que parte do pressuposto de que o samsara é um construto. Os seres que injustiçaram são só outros seres no samsara, e assim por diante. Os infernos estão cheios de seres que ciclicamente injustiçam e são injustiçados. Enquanto eles têm sede de vingança, enquanto eles olham com má vontade para aquele outro, o algoz, que é ele mesmo só outra vítima da raiva, eles também não se liberam do inferno.

Em outras palavras, nada justifica a raiva. A raiva só é sustentadora da raiva quando temos essa fragilidade, esse hábito. Se a raiva sempre causasse mais raiva, não haveria fim para o samsara. Porém, embora algumas vezes a raiva leve a mais raiva, outras vezes a raiva também cessa. Como a raiva é composta e impermanente, há possibilidade de liberação. Como você pode treinar a mente para ela não ser vingativa, você pode interromper o fluxo da raiva. Saber isso é mais importante do que saber porque ou como exatamente uma pessoa prejudicou você, ou como você pode melhor revidar, ou todas essas especificidades que são uma espécie de “fofoca” interna.

O inferno budista vai receber pessoas que viveram injustiças sociais e odiaram seus opressores também?

Evidentemente que sim. O inferno está cheio de pessoas que geraram “raiva justificada”. De forma geral, se você ver, até mesmo um genocida acredita que está fazendo o melhor para alguém. É claro que uma pessoa que se vinga, mesmo que se considere totalmente justificada, vai para o inferno. Prejudicar o outro é errado independente do outro ser bom ou ruim. Se o voto de bodisatva fosse só ajudar pessoas boas, não haveria equanimidade.

Ao mencionar a questão do “ódio justificado” você de fato deu uma contraprova com relação ao seu próprio argumento. Isto é, se a pessoa vai saber coisas específicas sobre seus algozes em vidas incontáveis, e ela não tiver a sabedoria da vacuidade, ou pelo menos a noção óbvia de que não existe nenhuma vingança justa ou ódio justificado, e que boa parte do sofrimento é exatamente sentir raiva pelo agressor... você acabou de detalhar uma receita para ainda maior iniquidade no mundo. Saber mais coisas, sem sabedoria da vacuidade ou ao menos entender que nenhum klesha é justificável, só nos torna mais capazes de causar danos para nós mesmos e para os outros — ainda mais justificados em nossas reificações do outro como apenas um algoz. Digamos que possivelmente esse conhecimento dos particulares seja gradual — sem sabedoria, a pessoa vai buscar o que? Em vez de se focar no simples fato de que todos os seres já foram nossas mães por vidas incontáveis, e agora estão sucumbindo afligidas pelos kleshas, o objetivo vai ser o que? Saber o endereço do cara que não lhe enganou no troco 245 vidas atrás, para deixar um pacote com cocô em sua porta?

Já temos suficientes guerras porque “seu avô matou meu tio” multiplicado aos milhares. E então você quer ensinar os seres a saberem coisas específicas de acordo com suas mentes cheias de kleshas e que não entendem nem mesmo conceitos simples como não ser o melhor ter raiva pelo agressor? Nossa mãe!

Entender um único aspecto do darma é muito melhor do que saber bilhões de meras de especificidades causais sobre sua experiência atual. E saber uma única coisa dessas com alguma profundidade é bem mais difícil do que entender a vacuidade.

Pessoas sem memória alguma de seus carmas que lhes colocaram em situação de injustiça social?

É exatamente isso que acontece. No cristianismo eles acham difícil explicar porque uma criança tem leucemia. O que ela fez? Que tempo ela teve para agir com livre-arbítrio e produzir essa causa? Porque Deus colocou essa criatura nessa situação?

No budismo é simples: essa criança vitimou outros no passado. Quando e como, ninguém sabe, ninguém precisa saber. Ela é culpada? Não, todos os seres que vitimizam os outros o fazem por ignorância e os venenos que vem da ignorância. Mas isso explica porque esse sofrimento se manifesta agora. Isso não é para diminuir nossa compaixão pelo ser, pelo contrário. Ao saber que o sofrimento vem de agir mal, ficamos com ainda mais compaixão pelo ser. E quando vemos outros seres agindo mal, somos mais capazes de sentir compaixão — exatamente porque já vimos o que é o sofrimento de “um inocente”.

Sem a sabedoria de que a raiva nunca é boa, nem mesmo quando parece justa, sem o entendimento equânime que reconhece que no fundo todos nós, sem exceção, somos inerentemente inocentes e contingentemente culpados, o conhecimento de especificidades vai apenas fomentar ainda mais parcialidade, preconceito e todos os tipos de kleshas atrelados a isso. É claro, se você pensar em um conhecimento desse tipo que chega até o final, até a onisciência completa, ele precisa incluir esse tipo de sabedoria que reconhece que ninguém é culpado e ninguém é inocente. Mas e o processo para chegar até lá via causas específicas, vale mesmo a pena? Não é muito melhor desenvolver boas qualidades do que paulatinamente acumular conhecimentos arbitrários e parciais, que são sobre “você” e suas preocupações presentes com quem prejudicou quem, e quando?

Toda vez que alguém sofre, no entendimento do Darma do Buda, foi porque essa pessoa em algum momento prejudicou alguém. E veja qual é a natureza do samsara, digamos entre os animais: alguns tem momentos de virtude, mas em geral, estão envolvidos em comer uns aos outros e disputar territórios. Então é evidente que os seres sofrem muito, eles geralmente causam muito sofrimento o tempo todo!

Sem entender essas coisas básicas sobre carma, é impossível gerar equanimidade e os outros valores do caminho do bodisatva.

E aliás... é possível produzir justiça social sem ódio ao opressor?

Produzir justiça social nunca foi um objetivo do darma. Esse é um objetivo mundano, como curar ou fazer não existir a poliomielite. Pode ser positivo, pode ter várias contraindicações e efeitos inesperados negativos — nunca levou ninguém à iluminação. Pode também simplesmente ser impossível, o que é bem provável, devido a própria natureza do samsara. Muitas coisas são impossíveis devido a natureza dos mundos que são formados por ignorância.

Do ponto de vista do darma, no entanto, se há kleshas, o samsara segue. Então se você perpetua o ciclo de se sentir justificado em revidar ou gerar animosidade por alguém que se porta mal, isso apenas aumenta a experiência de samsara de todos os envolvidos. O que se deve fazer para combater ações negativas é pensar em termos da ação, sem pessoalizar. Se for necessário prender ou mesmo matar para proteger outros seres, você deve certamente fazer isso por compaixão, e não por raiva. você tem compaixão das pessoas que está protegendo, e você também tem compaixão do ser que está cometendo a não virtude, mesmo que naquele caso seja necessário usar o anti-pulga. Eu uso esse exemplo porque é muito comum budistas se depararem com baratas ou pulgas, ou outras infestações, com que eles precisam lidar. Mesmo nesses casos, a ação deve ser feita sem nojo, medo ou aversão dos insetos, mas porque ela é uma ação necessária para proteger outros seres, e nesse caso você também aspira que os seres prejudiciais encontrem melhores renascimentos — você não mantém nada contra eles. “Eles não sabem o que fazem”, é até bem cristão isso.

Ter algo contra alguém não é a atitude budista. Você não deve ser passivo ou se deixar oprimir, mas qualquer ação mais violenta só é aceitável se for feita no âmbito da compaixão por todos os envolvidos. Se ela vier dos kleshas, ela vai levar aos infernos. Então não é recomendável ou correto sentir raiva de agressores, e isso só vai inevitavelmente produzir mais sofrimento, especialmente para a própria vítima.

E no fim das contas, pra justificar toda essa transição de experiências em diferentes reinos, não é necessário justamente uma memória que explique tudo isso?

Não. Já escrevi e falei extensamente sobre isso, e você acha bastante material em inglês também. Na madhyamaka não precisamos sequer de um conceito tal como alayavijnana (“consciência armazém” ou “depósito”) para “registrar” as interações.

Se o darma, como você bem diz, pode ser traduzido como um “método”, bem, é preciso que se tenha alguma vivência que demonstre as bases desse método, não é mesmo?

A vivência é conviver com outros praticantes.

Não adianta muito termos apenas uma narrativa mítica de figuras que tenham memória de milhões de kalpas atrás e isso apenas poder ser alegado por poucos do budismo.

O seu professor e a sua sanga são os representantes de toda a linhagem do budismo. Você convive com eles.

Para quem consegue depositar fé nisso, ótimo, talvez. Mas para quem tem muito para olhar de muitas religiões ou filosofias, mas pouco a se experimentar, isso cai como mais um discurso religioso sem muito diferencial.

Aí vai do mérito, é evidente que muitas pessoas não se interessam pelo darma. Você pode levar o animal até a água, mas você não pode forçar ele a beber.

Se eu penso “puxa, eu falei as coisas certas, essa pessoa entrou no darma por minha causa”, ou penso o oposto, eu não entendo propriamente interdependência. Eu não tenho poder unilateral de convencer ninguém. Se eu não conheço todas as minhas causas e condições, que dizer as do outro. Se acontece de eu falar algo, e isso for entendido, e isso levar a uma prática, e isso levar a uma realização, daí eu saberia que talvez tenha feito bem. Mas eu nunca tenho certeza de nada, eu só faço o meu melhor e aspiro que todas as conexões positivas ou negativas que eu tenha levem quem quer que se conecte comigo ao darma e a liberação que ele produz. Se isso vai acontecer? Se eu nunca tivesse fervido um ovo na vida, eu não saberia que ele fica cozido. Como eu já fervi um ovo, eu sei que todos os ovos vão poder ser cozidos do mesmo modo. Enquanto isso, eu vou fervendo o ovo até ele cozinhar.

É preciso demonstrar para cada um que busque que é possível se alcançar experiências que atestem para a própria pessoa o renascimento e o carma. Esse é um caminho que ao menos para mim me soa excelente para se compreender a própria vacuidade.

Se a pessoa coloca exigências no darma, não tem darma nenhum. A pessoa oferece a sua disposição, daí ela vai entender aos poucos e praticar aos poucos. Se ela quiser um darma customizado para as próprias expectativas, e como uma criança mimada, exigir que o darma seja como ela acha que o darma tem que ser, ela nunca vai encontrar o darma.

O que vai trazer uma reflexão melhor sobre interdependência e vacuidade do que memória de causas específicas?

Uma reflexão de causas no sentido geral. Quando você diz “causas específicas” até aí você está usando uma generalização. “Todas as” e a classe “espécíficas” — se a pessoa realmente quer especificidade, ela vai precisar uma lista. Mas ela vai ficar daqui até o fim do universo conhecido listando causas, se ela começar essa lista.

Aliás... uma pergunta ainda mais precisa... por que ver causas específicas não seria um caminho de compreensão da vacuidade e da interdependência?

Porque se a pessoa achar que precisa aprender turco e sueco antes de praticar, ela nunca vai sequer começar a praticar. Outro exemplo? Eu vou aprender a pilotar avião para ir na padaria? Talvez o conhecimento que me leva a aprender a pilotar um avião não me ajude em nada a andar de bicicleta.

Isso considerando que seja possível conhecer todas as causas específicas. Algumas vezes se fala da onisciência do Buda como tendo essa característica. Mas você acha que o Buda praticou para obter isso? Não, ele obteve isso como efeito colateral da iluminação. Se é que podemos falar de onisciência nesse sentido. Temos mesmo que exigir que o Buda seja capaz de consertar motocicletas? Sem dúvida, no espaço atemporal que habita a mente do Buda, ele pode “aprender’ a consertar motocicletas se isso for de benefício aos seres. Nem mesmo é aprender ou saber, nesse caso, porque está além do tempo. O Buda já consertou motocicletas em bilhões de suas vidas, e nós também. É por isso que nós somos inerentemente dotados dessa onisciência. Agora, qual é a prática budista para acessar esse conhecimento, na prática? Estudar o conserto de motocicletas com um guru de conserto de motocicletas. Se a pessoa tem essa necessidade específica, ela põe esse esforço específico, e se isso é fácil, é porque ela está em contato com suas inúmeras vidas de consertador de motocicletas. Se isso é difícil, talvez seja porque ela tem vários obstáculos a lembrar dessas vidas, elas podem ser distantes, ou outros hábitos mais fortes se interpuseram. Daí ela passa trabalho para aprender, mas eventualmente, ela aprende. Então todos nós temos essa onisciência.

Por outro lado, se nos dedicamos a uma coisa específica, temos um resultado específico. É muito mais inteligente se dedicar a uma coisa geral. O que é que resolve todos os problemas? Atingir a liberação. Como se atinge a liberação? Reconhecendo a vacuidade presente em todos os fenômenos.

Então, saber consertar motocicletas não é exatamente inatingível, nem é exatamente condenável, mas também certamente não é nada essencial. Bem como todas as outras coisas específicas, elas não são essenciais.

Ninguém atualmente entende tudo que se passa dentro do computador ou smartphone que está usando. Todos os elementos de hardware? Todos os elementos de software? Cada um dos dados que passa pelos caminhos elétricos ali dentro? Cada uma das superestruturas abstratas que os programadores usaram para programadores usarem e ad-infinitum até as grandes equipes que desenvolveram partes dos chips... Eu diria que após um bilhão de transístores, ninguém mais nem entende sozinho um único chip processador central, uma CPU. Até os anos 1990 talvez existissem pessoas que entendiam basicamente tudo que acontecia nos computadores que usavam, hoje, as pessoas entendem parte, uma pessoa que entende muito, entende bem 10% e 90% de forma muito geral. Mesmo assim, todo mundo usa smartphone. Ninguém precisa lembrar das “vidas passadas” dos elétrons todos que circulam ali no bichinho — e de forma geral somos alienados até mesmo do custo social da produção desses aparelhos. Mesmo assim, todo mundo sabe usar, usa suficientemente bem — essa imensa ignorância sobre todos esses aspectos dessas máquinas não nos impede em nada na prática. Aí você pode dizer “mas é importante saber que os algorítmos tem vieses políticos” — mas mesmo isso é um conhecimento geral. Agora com o que chamam de “inteligência artificial”, as pessoas nem sabem mais o que está acontecendo dentro do programa que elas mesmas iniciaram — vira uma caixa-preta. Isso impede os benefícios e malefícios dessas máquinas? Aparentemente não.

Se a gente não exige isso da máquina que a gente tá usando para ler este texto, porque exigimos do budismo que ele forneça um método para obter respostas para especificidades? Mesmo uma pessoa que vai estudar programação ou desenho de hardware, mesmo essa pessoa, ela vai se fixar num campo bem restrito e vai depender do trabalho de muitos outros especialistas, que sabem melhor outras áreas. Se uma pessoa quer trabalhar com isso, até aí ela vai ter que limitar o escopo do seu conhecimento ao que funciona de forma prática na carreira dela.

E segue o alerta, se você se dedicar a entender causas específicas, você vai perder tempo. Claro que praticamos para também lembrar de vidas passadas, e isso ajuda na prática – mas se a pessoa pratica para isso como prioridade, é como cultivar arroz e jogar o grão fora e ficar só com a casca. Esses lampejos milagrosos de revelações sobre conexões extremamente obscuras são interessantes, mas se a pessoa se perde no fascínio por isso, ela não está praticando o darma. Isso basicamente só é útil quando demonstrado em doses extremamente homeopáticas — e se desperta fé nas pessoas.

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