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Carta Aberta à Comunidade Budista

Documento preparado pelos professores ocidentais do darma, em conjunto com o Dalai Lama, sobre a conduta na sanga.

The Network for Western Buddhist Teachers
C/o Rand
1821 Star Route
Sausalito, CA 94965, USA

Uma Carta Aberta

De 16 a 19 de março de 1993 ocorreu em Dharamsala, Índia, um encontro entre Sua Santidade o XIV Dalai Lama e um grupo de vinte e dois professores ocidentais de Darma das principais tradições budistas da Europa e América. Também presentes estavam os lamas Tibetanos Drikung Chestang Rimpoche, Panchen Otrul Rimpoche e Amchok Rimpoche. O objetivo do encontro foi discutir abertamente uma vasta gama de assuntos relativos a transmissão do Budadarma para as terras ocidentais.

Após quatro dias de apresentações e discussões, concordamos nos seguintes pontos:

1. Nossa responsabilidade primordial como budistas é trabalhar pela criação de um mundo melhor para todas as formas de vida. A promoção do Budismo enquanto uma religião é uma preocupação secundária. Bondade e compaixão, a promoção de paz e harmonia, bem como tolerância e respeito por outras religiões, devem ser os três princípios motivando nossas ações.

2. No ocidente, onde tantas tradições budistas existem lado a lado, precisamos manter constente vigilância contra os perigos do sectarismo. Tal atitude divisória é geralmente o resultado da incapacidade de compreender ou apreciar elementos externos à nossa própria tradição. Professores de todas as tradições beneficiariam-se muito do estudo e de alguma experiência prática dos ensinamentos de outras tradições.

3. Professores devem estar abertos às influências benéficas de outras tradições seculares ou religiosas. Por exemplo, os insights e técnicas da psicoterapia contemporânea podem freqüentemente ser de grande valor na redução do sofrimento dos estudantes. Simultaneamente, esforços para o desenvolvimento de práticas psicologicamente orientadas a partir das tradições budistas existentes devem ser encorajados.

4. A posição de um indivíduo como professor nasce em dependência das necessidades de seus alunos, e não simplesmente ao ser apontado como tal por uma autoridade superior. Portanto grande cuidado deve ser exercido pelo discípulo na escolha de um professor adequado. Tempo suficiente deve ser concedido para esta escolha, a qual deve ser baseada em investigação pessoal, razão e experiência. Alunos devem ser advertidos contra os perigos de caírem presas de carisma, charlatanismo ou exoticismo.

5. Uma preocupação particular foi expressa sobre conduta imoral entre professores. Em anos recentes professores tanto Asiáticos quanto Ocidentais têm sido envolvidos em escândalos referentes a má conduta sexual com alunos, abuso de álcool e drogas, desvio de fundos e abuso de poder. Isto resulta em vastos danos tanto à comunidade budista quanto aos indivíduos envolvidos. Cada estudante deve ser encorajado a tomar medidas responsáveis para confrontar os professores com aspectos pouco éticos de suas condutas. Se o professor não mostrar sinais de mudança em sua atitude, os alunos não devem hesitar ao tornar público qualquer comportamento não ético do qual haja evidência irrefutável. Isto deve ser feito independentemente de outros aspectos benéficos de seu trabalho e do comprometimento espiritual àquele professor. Deve-se também tornar claro em qualquer publicidade que tal conduta não está de acordo com os ensinamentos budistas. Não importa qual o nível de conquista espiritual que um professor tem, ou diz ter, ninguém pode estar acima das normas de conduta ética. De forma que o Budadarma não seja desrespeitado, e para evitar dano a professores e alunos, é necessário que todos os professores vivam ao menos pelo cinco preceitos leigos. Em casos onde padrões éticos tenham sido infringidos, compaixão e cuidados devem ser direcionados tanto ao professor quanto ao aluno.

6. Assim como o Darma se adaptou a muitas culturas diferentes através de sua história na Ásia, da mesma forma está condicionado a se transformar de acordo com as condições no ocidente. Apesar dos princípios do Darma serem atemporais, precisamos exercer uma cuidadosa triagem ao distinguir entre os ensinamentos essenciais e armadilhas culturais. Apesar disso, confusão pode aparecer por várias razões. Pode haver um conflito de lealdade entre o comprometimento a nossos professores asiáticos e a responsabilidade com nossos discípulos ocidentais. Da mesma forma, podemos encontrar discordâncias com relação ao valor respectivo das práticas monásticas e leigas. Além disso, afirmamos a necessidade da igualdade entre os sexos em todos os aspectos da teoria e prática Budistas.


Os professores ocidentais foram encorajados por Sua Santidade a assumir maior responsabilidade para criativamente resolver os tópicos levantados. Para muitos, o conselho de Sua Santidade serviu como uma profunda confirmação de seus próprios sentimentos, preocupações e ações.

Além de se mostrar capaz ao discutir os tópicos francamente com Sua Santidade, a conferência serviu como um valioso fórum para professores de diferentes tradições trocarem idéias. Já estamos planejando futuros encontros com Sua Santidade e convidaremos outros colegas que não estavam presentes em Dharamsala para participar no processo em andamento. Sua Santidade pretende convidar mais líderes de diferentes tradições budistas asiáticas para comparecerem em futuros encontros.

Os procedimentos do encontro serão disseminados para o grande público por meio de artigos, um relatório, um livro, além de gravações de áudio e vídeo.

Para maiores informações e comentários, por favor escreva para o endereço acima.

Documento assinado por:
Fred von Allmen
Ven. Ajahn Amaro
Ven. Olande Ananda
Martine Batchelor
Stephen Batchelor
Alex Berzin
Ven. Thubten Chodron (Cherry Greene)
Lama Drupgyu (Tony Chapman)
Lopon Claude d'Estrée
Edie Irwin
Junpo Sensei (Denis Kelly)
Brendan Lee Kennedy
Bodhin Kjolhede Sensei
Jack Kornfield
Dharmachari Kulananda
Jakusho Bill Kwong Roshi
Lama Namgyal (Daniel Boschero)
Ven. Tenzin Palmo
Ven. Thubten Pende (James Dougherty)
Lama Surya Das (Jeffrey Miller)
Robert Thurman
Sylvia Wetzel.

Traduzido por Padma Dorje em 1998, necessita revisão.




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