Tia

Todo mundo fala em dia das mães, o que tem sua razão de ser, mas deveria haver um reconhecido dia da tia .

Tia é um parente muito agradável. Se você é mulher , a tia é aquela amigona que conversa sobre os seus problemas; se você é homem, a tia o protege da severidade de sua mãe.

A expressão “ficar para titia” precisa ser revista. O que poderia ser melhor do que ter um bebê ou criança sem a responsabilidade de ser mãe? Quando meu sobrinho nasceu, o Luciano, fiquei de fato para titia e foi uma curtição só! Éramos as paparicadeiras, como dizia meu pai. Eu, minha irmã e minha mãe ficávamos em volta do bebê até o momento do choro, quando o enviávamos para a minha cunhada, a mãe.

Minhas tias foram e são grandes, especialmente a tia Mari e a tia Isa (mas tiveram também papel importante na minha vidas as tias Regina, tia Zilda e tia Celita, sempre tão carinhosas e misteriosas).

Quando criança , queria ter tias tão malucas como as do livro “A vaca voadora”, de Edy Lima. Elas inventavam elixir de levitação e se envolviam em aventuras inimagináveis. Uma delas, a Aniceta, tinha morrido de rir! Bom, isso poderia ter acontecido com minha tia Mari, sempre com sua risada de orelha a orelha...

A tia Isa freqüentava festas elegantíssimas com seus vestidos lindíssimos (tenho um deles até hoje), na moda e vaidosa. A tia Mari me deixava quase sempre dormir com seu travesseiro de penas e um dos meus maiores prazeres era descascar o esmalte de suas unhas vermelhas antes de ela passar a acetona.

Batizávamos, eu e a tia Mari, todas as bonecas, e Janaína era o nome mais bonito – vontade de que todas as bonecas se chamassem Janaína. Era tão seguro aquele pequeno apartamento, com minhas tias e minha avó, onde eu brincava de balão ou com minha boneca de pano, no minúsculo corredor...

Havia dificuldades, como tentar acordar e levantar a tia Mari para ir para o trabalho sem que ela se atrasasse. Eu não entendia como podia ser tão difícil, e hoje sinto na pele a vontade de ficar mais um pouco na cama, sendo-me impossível às vezes sair dela na hora que desejaria.

O bom mesmo da tia é que ela nem sempre age como um adulto (o que a mãe e o pai têm de fazer), e então está sempre disposta, pelo menos nas férias e fins de semana, a participar de jogos e brincadeiras: canastra, War, banho de açude ou piscina, caminhadas no meio do mato. Ela também briga de igual para igual, e essa é a melhor parte! Ser infantil como o sobrinho mostra a sua fragilidade e que não pertence totalmente ao mundo dos adultos!

É uma pena não conviver mais tão próximo às minhas tias nos últimos anos. Quem dera eu seja querida pelo meu sobrinho como o são minhas tias por mim e meus irmãos.




Texto de Fabiana Cardoso Fidelis em 30.11.2006, http://fabinca.tzal.org/fabinca_post-Tia
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