Distância
500, 600, 1000 km. 5, 6, 9h de carro ou de ônibus? 1, 2h, 3h ou mais de avião? Atravessar uma região, realizar uma atividade, retornar.
Nos filmes de viagens há sempre uma transformação, uma oportunidade de reflexão, um crescimento ou um retorno às origens: Morangos silvestres, Thelma e Louise, Uma vida iluminada, Pequena Miss Sunshine, Estrela solitária, Flores partidas, As confissões de Schmidt, Do jeito que ela é, Está todo mundo louco (este último no ônibus de Chapecó a Florianópolis, onde assisto aos piores filmes possíveis, em versão dublada ainda por cima. Até neste há uma mudança nos personagens, que, de totalmente egoístas em busca de um prêmio milionário, tornam-se ao final da viagem, ainda que de forma obrigada, heróis da solidariedade).
Eu vou a Curitiba, durmo em União da Vitória no mais feio hotel que já vi na vida, assisto a um curso de um dia, volto e tudo que aprendi é que comer na estrada sem uma referência de restaurante é muito ruim. No carro, piadas, fofocas, algumas conversas sérias, saudade, comentários sobre os gatos. Muito cansaço, dor nos joelhos, algum medo de acidente, noite escura, amanhecer cansado, distâncias percorridas apenas em quilômetros.
Histórias para contar sobre o elevador do hotel que parecia um caixão, o cheiro insuportável de cigarro no quarto, o box do chuveiro que alagou, o pingo do ar-condicionado e o restaurante com a comida suculenta que ficou só na imaginação. Ou os outros viajantes tiveram uma experiência melhor?
Para quem mora em Chapecó, distante no mínimo 500 km de qualquer grande cidade com muitos automóveis e pessoas na rua, viajar é rotina, um pulinho apenas. Pior situação ainda para os que não têm oportunidade de sair da cidade. |