Dicas para o revisor
Fiz uma coletânea de dicas do Pablo Vilela sobre revisão de textos no Cadê o Revisor?.
Todas são ótimas e essenciais, mas especialmente o Não Mude sem ter uma boa razão e Os Três Mandamentos, porque englobam as demais, devem ser seguidas à risca se você quer ser um revisor de textos profissional, em vez de um caçador de erros alheios.
Não Mude (4 Setembro 2008)
Dizem que mudar faz bem. Na revisão não é bem assim.
Para mudar, o revisor deve ter certeza. Convicção só se adquire com estudo, trabalho e despudor em perguntar. Diante da certeza, a necessidade de mudança precisa ser comprovada.
Mesmo sabendo o que faz, ainda que a mudança seja forçosa, saiba justificá-la. Quando menos esperar, será questionado e cobrado.
Na dúvida, não mude. Não tenha dúvida. Mude consciente.
Os Três Mandamentos (5 Maio 2008)
Estes mandamentos foram elaborados pelo Tom e estão na parede de seu escritório. Servem para todos os revisores. Ponha-os na parede de seu local de trabalho.
Faça apenas alterações que você possa justificar.
Só altere se for realmente necessário.
E acrescento o mais batido dos mandamentos.
O cliente tem sempre razão.
Literatura Específica (3 Março 2008)
Sugestão da Anny, a dica do mês é uma lista dos livros que mais uso como revisor. Claro que sua lista será diferente da minha. Uns gostam de determinado autor, uns têm dificuldade com certo tema, uns têm cliente que impõe normas específicas. Enfim, o trabalho de cada um tem pormenores que pedem diferentes obras. Listo uma literatura útil para nós, revisores de todos os gêneros textuais, estilos e graus de experiência.
1. Gramáticas Digam o que disserem, revisor precisa dominar a gramática normativa. O cliente exige esse domínio. Mesmo as escolares, de Cegalla, Terra, ou do autor de sua preferência, serão úteis. Para se aprofundar no estudo, prefira os clássicos Bechara, Cunha ou Rocha Lima.
2. Dicionários de língua portuguesa Mantenha seu dicionário a uma distância segura. Não importa o que aconteça, não se separe dele. Existem hoje dois dicionários de língua portuguesa: Aurélio e Houaiss. Desconsidere qualquer outro. Abuse da informática e prefira os eletrônicos: mais práticos, baratos, portáteis e com ferramentas extras. Não se esqueça de que pirataria é crime.
3. Dicionários diversos Quanto mais dicionários tiver, mais preparado para as dificuldades da profissão você estará. Tenha os de língua estrangeira (ao menos as mais faladas), de lingüística, específicos da área em que atua, todos que chegarem a suas mãos. Tenha, principalmente, um de regência nominal (a verbal está no dicionário de português).
4. Literatura específica Por fim, há os livros específicos sobre revisão de textos. Há? Bem, até há. São poucos e obsoletos, mas contam a história da profissão, de quando ainda éramos conhecidos como revisores tipográficos. Velhos tempos, mas bonitos de se conhecer.
Erro na Capa (5 Agosto 2007)
A dica este mês é tomar cuidado com as capas. Não há nada pior do que você fazer uma revisão perfeita naquele livro, naquela revista, naquele fôlder, e logo na capa, no título, faltar uma letra, um acento. Está destruído seu trabalho, com requintes de crueldade. Durante semanas, meses, talvez anos, o erro será lembrado e servirá de exemplo para os mais impiedosos caçadores de erros grotescos.
Revise com redobrada atenção as capas, títulos e todos os textos de pequena extensão que apareçam em destaque. É neles que os erros se tornam mais visíveis.
Códigos de Revisão (1 Julho 2007)
Os temidos códigos de revisão não têm motivo algum para ser temidos. Existem para simplificar a vida tanto do revisor quanto do diagramador, arte-finalista ou quem quer que seja responsável pelas emendas.
São símbolos usados há décadas para resumir o que precisaríamos de uma ou mais palavras para dizer. Então, nada de puxar foguetes (setas) do meio do texto. Para facilitar a vida de todo mundo, usemos os códigos criados para isso.
Esta tabela, que traz alguns dos símbolos mais usados, tem por base várias fontes, além da experiência do dia-a-dia de revisor, e foi construída com a preciosa colaboração do arte-finalista Zé Alves.
E Etc. (4 Março 2007)
No tempo em que o césar compartilhava com Júpiter o poder sobre os homens, etc. era uma locução conjuntiva.
De lá para cá, deuses desapareceram, imperadores foram substituídos por presidentes, a língua mudou de nome e etc. passou a ser a abreviatura de um substantivo usado para encerrar enumerações.
Naturalmente, precedido de vírgula ou (por que não?) da conjunção e, como os demais itens da seqüência. Mais dicas em Cadê o Revisor? |