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dia-a-dia icon Particular

Alunas conversando paralelamente enquanto há uma interpretação coletiva de um texto em aula.

— Quer falar algo, fulana?

— Não, não era sobre a aula.

O tititi continua.

— Algum comentário, fulana?

— Se não quer participar, por favor não converse.

— Não estou atrapalhando!

— Você não está tendo uma aula particular para poder fazer o que quer. Temos uma turma aqui – o trabalho é coletivo.

— Estou sim. Eu estou pagando para estudar numa universidade particular!

Como era aula de língua portuguesa, deveria ter dado como tema de pesquisa as diferentes acepções da palavra particular:
Particular
adjetivo de dois gêneros

2 próprio ou de uso exclusivo de alguém; privativo, privado
Ex.:

6 Rubrica: termo jurídico.
que pertence ao indivíduo, pessoa natural ou jurídica, na ordem privada, p.opos. ao que se relaciona com o que é inerente à ordem pública (Dicionário eletrônico Houaiss).
Fiquei muito nervosa para simplesmente encerrar o assunto e dizer para a querida aluna procurar um “amansa-burro”.

Cenas como esta, antes restritas ao ensino fundamental e médio, são cada vez mais comuns na universidade. Trata-se do novo aluno que costuma estar chegando à nova universidade brasileira. E o professor tem que estar sendo um novo professor para estar preparando o novo aluno para o novo conhecimento que ele precisa estar sabendo para estar autuando profissionalmente.

Como eu já tenho uma mentalidade de velha desde criança...

Propriedade particular em área de preservação

Imagem retirada daqui.
05.10.2008 • 10:55 • comentários (1)

língua icon Caça aos erros
Depois de muito procrastinar, novamente não escrevi nada. Então pelo menos compartilho um texto sobre revisão que encontrei ao procurar uma crônica do Luís Fernando Veríssimo. É um bom exercício em uma aula de língua portuguesa e pretendo utilizá-lo na disciplina de Revisão de Textos que ministrarei em agosto.

Revisionismo

Os revisores só não dominam o mundo, porque ainda não deram-se conta do poder que tem. Revisores unidos poderiam acabar com a civilisação como nós lhe conhecemos, onde uma conspiração de revisores espalhava o terror pelo empastelamento e desestabilizava qualquer regime com acentos indevidos e pontuações maliciosas. Grandes jornais seriam levados a falencia por difamação invonluntária. A besteiras ininteligíveis seria reduzido decretos oficiais, ao invés de inteligíveis como são agora. Manuais de instrução militar sutilmente alterados (Espere 40 segundos antes de atirar a granada, etc.) e a juventude desencaminhada com cartilhas ambíguas seria dois exemplos do estrago que revisores mau-intencionados, atuando em conjunto, poderiam fazer a sociedade. E os efeitos de uma revisão subversiva na instrução medica é terrível demais para se contemplar. Mas nada disso se compara ao que os revisores podem fazer a reputação de um escritor.

Como o que sai impresso é o que eles querem, inapelavelmente, (ninguém revisa os revisores) eles são os verdadeiros autores do texto. Seu poder se manifesta de três maneiras: deixando passar erros de impressão, acrescentando erros ao texto onde não havia ou (esta é a mais ignóbil de todas) não corrigindo os erros de ortografia, concordância etc. do própio autor que o texto trás. É imperdoável que o autor não possa confiar no revisor como um trapesista confia no parceiro, para não deixar ele se estatelar no chão. É inadmissível que o autor tenha de aprender a escrever certo, a saber gramática - meu Deus, até a usar o pronome - em vez de contar com o revisor para salva-lo dele mesmo, e do ridículo. Eu não posso me queixar. Tenho sido protegido por revisores e - fora a ocasional vontade de reuni-los numa sala, trancar as portas e propor uma discussão sobre a colocação de vírgulas, até um acordo ou até a morte - não tenho grandes queixas. É verdade que não desafio eles. Nunca uso a palavra ônus num testo, por exemplo. E "carvalho" só em último caso. Nos damos bem. Mas sempre que começo a escrever penso no que um revisor dedicado a sabotagem poderia fazer comigo. Ou uma conspiração da classe poderia fazer com o mundo.

(Talvez a conspiração já exista. Se o texto acima saiu indecifrável, é cinal que ela está em curso. Se saiu sem um erro é mais suspeito ainda. Cinal que eles não temem mais o desmascaramento).

Luís Fernando Veríssimo


Publicado no Digs.
23.06.2008 • 23:36 • comentários (0)

língua icon Letras
Escolhemos uma profissão pelo coração e pela razão. No caso do curso de Letras, quando alguém me pergunta se deveria fazê-lo, costumo responder primeiramente com um argumento prático e de acordo com as regras do mercado: para professor de Língua Portuguesa sempre haverá emprego.

Ninguém, entretanto, gostará de ter um emprego com o qual não se identifica, então por que Letras?

É um curso que aborda o que há de mais essencial em nós: a linguagem. Sem a língua não existimos – além de servir para nos comunicarmos, agimos e vivemos com o que é dito e com o que dizemos. Estamos cercados de textos – além da fala, a leitura e a escrita nos constituem de forma que não conseguimos dimensionar.

Quem faz Letras pode habilitar-se tanto em Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa quanto em Língua Estrangeiras, além de estudar, é claro, os textos literários de cada língua. Com o diploma na mão, além de ser professor, pode utilizar seu conhecimento em diversas áreas: produção e crítica cultural, editoração e revisão de textos, tradução e interpretação.

Uma das profissões que exerci depois de formada foi a de secretária do presidente de um grande sindicato em Porto Alegre – não fiquei muito tempo na função porque não era esse o meu interesse profissional, mas o anúncio de emprego no jornal foi direcionado a professores de Português, o que me permitiu assumir a vaga. O presidente do sindicato, cansado dos constantes erros de português nas cartas redigidas pelas secretárias, exigiu uma professora de português para ser sua secretária. Na entrevista, apelei para o meu perfil “da área administrativa” para conseguir o emprego e, dois dias depois, havia duas secretárias experientes sob minhas ordens. Era difícil dar conta da agenda pessoal e profissional do presidente, mas suas cartas nunca foram tão impecáveis: ele dizia o assunto, e eu redigia. Saí do emprego com a certeza de que com o que aprendi no curso de Letras nunca ficaria desempregada. Hoje trabalho como professora e revisora de textos e é necessário gostar um bocado de ler para fazer o que faço, mas como não poderia estar satisfeita se lembro de claramente sonhar, quando criança, com uma profissão que me “pagasse para ler”?

A Unochapecó está com o processo seletivo aberto para o curso de Letras. Quem entra não desiste do curso, pois os níveis de satisfação são grandes, e as perspectivas profissionais também são muito boas.

Soup of Letters
Imagem disponível em Rainforest Photo.

A minha prima querida, Maria Luiza, andou visitando este blog muitas vezes no ano passado. Será que algo aqui escrito a fez escolher prestar vestibular no Ipa para Letras?

Parabéns, Mauiza! Bixo de novo! Acho que vais gostar da escolha.

Mesmo assim torci para que ela fosse bixo na Matemática da UFRGS! E foi! Anda às voltas com cálculos e mais cálculos, bem diferente do que seria no curso de Letras.
07.06.2008 • 00:25 • comentários (1)

língua icon Pós-Graduação em Produção e Revisão de Textos

Se você é secretário, advogado, professor, editor, tradutor, escritor, revisor, jornalista ou publicitário, papéis o acompanham por todos os lados. A escrita é seu instrumento, meio, técnica, manifestação, condição e/ou possibilidade de trabalho e aprimorar sua relação com ela é indispensável, não?

Fôlder da Pós-Graduação em Produção e Revisão de Textos

Início: 28 de março de 2008
Término: 27 de março de 2009

OBJETIVO
Formar profissionais qualificados para a atuação na área de produção e revisão de textos que reflitam criticamente sobre suas práticas e que produzam textos adequados à circulação pública.

DISCIPLINAS
Discurso, Escrita e Sociedade
Texto, Gramática e Linguagem
Coesão e Coerência Textuais
Gramática Aplicada ao Texto
Revisão de Textos I
Revisão e Normatização de Textos Acadêmicos e Científicos
Textos e Documentos nas Organizações
Produção de Textos I
Produção de Textos II
Revisão de Textos Literários
Revisão de Textos II
Escrita e Formação de Leitorado

CORPO DOCENTE
Me. Ana Maria Dal Zott Mokva - URI
Me. Mary Neiva da Luz - Unochapecó
Me. Mary Stela Surdi - Unochapecó
Me. Hilaine Gregis - Unilasalle
Me. Fabiana Cardoso Fidelis - Unochapecó
Me. Tânia Mikaela Garcia - (doutoranda UFSC)
Me. Elisane Regina Cayser - UPF
Me. Marizete Spessatto - Unochapecó
Dr. Paulo Coimbra Guedes - UFRGS
Me. Rafael Peruzzo Jardim - Pref. POA
Me. Elisângela Rosa dos Santos - Artmed/Leonardo Da Vinci
Dr. João César de Castro Rocha - UERJ

HORÁRIO DAS AULAS
Quinzenalmente, nas sextas-feiras à noite e aos
sábados pela manhã e tarde.

CARGA HORÁRIA
360 horas/aula

HABILITAÇÃO
Mercado de Trabalho (sem monografia)

INVESTIMENTO
Matrícula + 17 parcelas de R$ 178,55

INFORMAÇÕES
Centro de Ciências de Comunicação e Artes
Fone: (49) 3321.8254
E-mail: ccca@unochapeco.edu.br
Fone: (49) 3321.8222
E-mail: setorpos@unochapeco.edu.br
Unochapecó
13.03.2008 • 09:10 • comentários (7)

língua icon Revisor, por Juliane Kuhn
Pedi para as minhas colegas de trabalho revisoras darem um depoimento sobre a profissão na oficina de Revisão de Textos que estou ministrando para o curso de Letras.

A Juliane não pôde ir e escreveu este texto:

Se você sempre sonhou com uma profissão cheia de desafios, na qual cada dia se apresenta com um novo obstáculo a ser vencido, em que é preciso uma boa dose de racionalidade e uma consciência local bem estruturada, mas nunca foi muito chegado à selva nem à carreira militar, seus problemas acabaram!!! SEJA REVISOR!

Se você é um perfeccionista que adora caçar detalhes em tudo o que lê, tem coragem o suficiente para encarar verdadeiras matas virgens gramaticais, intuição lingüística aguçada para discernir entre expressões imbricadas da selva da Língua Portuguesa, não desperdice o seu talento. Há uma oportunidade única batendo em sua porta, abra ela agora e não tenha medo dos cobradores.

Se você tem algumas das características citadas acima, pode ser que você seja um portador deste mal e o mercado editorial precisa de pessoas com o seu faro lingüístico e sua capacidade de ler um texto além daquilo que o autor “quis dizer”. O revisor, diga-se de passagem, pode ser um dos poucos leitores reais de uma obra, ele a conhece profundamente e vê o seu desenvolvimento. Afinal, o revisor é aquele cara de coragem que realmente vai ler desde “a política agrária no noroeste do Piauí” até “as moléculas agentes no processo parasitológico dos cogumelos comestíveis da Ásia Menor”. Isso o delega um ramo de conhecimentos razoavelmente grande ou estritamente pequeno (dependendo de sua racionalidade lingüística). Entenda-se aqui o fato de somente ficar sabendo de algo, o revisor não é o especialista, neste caso, seu papel se inverteria e se tornaria o autor. Desta forma, o revisor tem muito mais desenvolvido o seu lado de lingüista do que de gramático. É neste ponto que surgem a diplomacia e a humildade de reconhecer o texto como o “filho de outrem”, o papel do revisor é fazer a “enfermeira que o prepara para o colo da mãe”. Portanto, não se pode ver o texto como algo sob o total domínio do revisor, ele não pode dar forma ao que já foi escrito, assim, esse profissional funciona apenas como uma passagem que leva ao leitor. Pode-se afirmar que o revisor é aquele que trabalha na surdina. O seu melhor resultado alcançado é o menos perceptível aos olhos dos outros. No entanto, esse resultado só poderá ser alcançado por aquele profissional que, longe de pensar que está pronto e que sabe o suficiente para olhar com superioridade para todo texto, procura ver a folha em sua frente como um caminho traçado por alguém que precisa de um “leve” auxílio e não necessariamente de rasuras indicando seus erros. Aristotelicamente falando, um bom revisor é como um bom escultor, ele não vê o texto como pedra bruta, mas como uma forma precisando de apenas algumas pinceladas.

Se você tem o perfil ideal para ser alguém sempre em busca de novos conhecimentos da língua e de temas variados, venha ser um revisor, o mercado editorial precisa de você!

P.S.: Para os aficionados por literatura sei bem que a expressão “o autor quis dizer” dói e ofende suas aspirações críticas literárias. No entanto, com o contato direto com o autor e suas insistências não dá para ler somente suas entrelinhas... Já que ele pode querer inserir uma nota para isso.


A Jake, além de empolgar a metade da turma para seguir a profissão, também escreveu no Sinal Vermelho a respeito.

Obrigada, meninas.
14.02.2008 • 10:02 • comentários (6)

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