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Papel especial
A piada a seguir foi contada pelo Tom Fernandes na comunidade Revisores do Orkut. Aliás, para quem quer discutir revisão de textos ou língua portuguesa é o melhor espaço que conheço no momento.Papel especial
O autor pretensioso diz que sua 'obra-prima' deveria ser impressa em papel da mesma qualidade de seu texto.
O editor, de saco-cheio, responde:
— Seu livro devia ser impresso em soft flop 70gr dupla-face.
O autor sai todo satisfeito, mas resolve perguntar ao cara da gráfica que papel era esse.
Bem lacônico, o gráfico responde:
— Papel higiênico. Bom, existe mesmo uma editora que publica em papel higiênico, mas prefiro nem divulgá-la. |
| 11.10.2008 • 08:51 • comentários (0) |
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Sandália vermelha e blusa amarela
Acabei de fazer uma choradeira aqui na editora, quando a Jake publicou o texto abaixo — sobre a minha mudança para Florianópolis — no blog dela.
Que saudade vou sentir de todos da editora!Ela vai revisar as ondas...
Ela não tem cara de professora, de mestre, de revisora e de quase doutora. Mas ela é. Na primeira vez que a vi, usava uma saia jeans, sandália vermelha e blusa amarela. Professora, ela? E era. E veio trabalhar na mesa ao lado da minha. E veio para me ensinar a ser uma chata das palavras. E conseguiu.
Este blog é dela também; é ela quem me cobra que eu escreva. E cobra que eu escreva coisas que valham a pena ser lidas.
E ela vai ler este texto e me perguntar assim: “Não é você quem odeia que comecem as frases com ‘E’?”.
Agora ela vai revisar as ondas. Vai tirar a sandália vermelha para andar na areia. Vai para a capital. Para lá ela vai levar um pouquinho de sotaque de cada lugar em que morou. Vai revisar outros textos, falar com outras pessoas. Dela aqui, em mim, ela deixa a chatice, de que me orgulho, e a qual prometo cultivar.
Tenho certeza de que sentirei falta das sandálias vermelhas e do óculos de professora. Também da cobrança, do incentivo e das aulinhas de português.
A capital receberá feliz as sandálias vermelhas, a caneta vermelha e os dois gatos dela. Ela receberá das ondas a mesma calma que nos transmitia quando as impressoras pareciam explodir e os prazos nos sufocar. A ela sorte, sucesso e muito mar; é isto que desejo. Do tamanho do mar é o quanto tenho a agradecer a ela. Felicidades naquela “cidade horrível”, Fabiana! Leia mais textos legais em Sinal Vermelho . |
| 10.10.2008 • 16:24 • comentários (2) |
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Em reforma
A reforma ortográfica é o tema da edição de agosto e setembro da revista Flash Vip , n. 29, de Chapecó. A cobertura do assunto, feita pela jornalista Silvane Alves dos Santos, ficou muito boa.
“Filólogos e linguistas discutem. Uns aprovam, outros não a vêem com bons olhos. A ideia é padronizar!” Esta frase inicia a reportagem, mostrando empiricamente as futuras mudanças.
Além de mim, foram entrevistados:
o Presidente da Colip (Comissão dos Países de Língua Portuguesa) Godofredo Oliveira Neto; a professora de educação infantil Cassiana Caon o jornalista e professor Hugo Paulo Gandolfi de Oliveira a professora de língua portuguesa Mary Stela Surdi; o escritor português e presidente da ACHE (Associação dos Escritores de Chapecó) Torres Pereira; a auxiliar administrativa Juliane Kuhn; a gerente de ensino fundamental de Chapecó Ligia Paula de Farias; a professora Rosângela Prestes Neitzke; a professora de língua portuguesa e revisora Arisângela Denti; a professora de língua portuguesa Rosa Maria Cominetti; a gerente executiva da Abrelivros (Associação Brasileira de Editoras de Livros) Beatriz Grellet; a revisora de textos Jakeline Mendes Ruviaro.
Com tanta gente dando o seu “pitaco” sobre o acordo, há uma visão bem ampla de como será a recepção das novas mudanças na área educacional, editorial e também no dia-a-dia dos brasileiros.
Na mesma edição, uma entrevista sobre variação lingüística com a professora Mary Bortolanza Spessatto, minha colega da Unochapecó.
Boa leitura! |
| 23.09.2008 • 21:08 • comentários (0) |
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Consistência
Entre as funções do revisor de textos está a de tornar o texto consistente quanto à grafia dos nomes próprios, técnicos ou científicos. Quando alguém pega o livro pronto para ler nem imagina como na versão original (traduzida ou elaborada diretamente pelo autor) havia diferentes grafias da mesma palavra. Há letras que aparecem dobradas às vezes sim e às vezes não, alternância entre vogais e consoantes, uso de acentos graves, agudos ou circunflexos (e o acento pode aparecer às vezes em uma sílaba às vezes noutra), expressões com hífen, sem hífen e separadas ou sem hífen e juntas, palavras com ou sem itálico, com ou sem negrito, com maiúscula ou minúscula...
Como procedimento padrão, o revisor fazer um levantamento dos termos com múltiplas grafias. Depois disso pode (1) resolver as divergências consultando enciclopédias ou textos de referência da área ou (2) consultar o autor ou tradutor.
A consulta ao autor ou tradutor evita que o revisor tome decisões errôneas. Nem sempre, entretanto, há muita colaboração por parte de quem seria o mais interessado em ter o texto consistente. Há autores que não apenas não ajudam nem um pouco, como, além disso, ficam chateados por terem que resolver problemas nos quais não gostariam de pensar - afinal já fizeram o pior e mais difícil, ou seja, escrever.
A seguir uma história ilustrativa sobre o que pode acontecer quando o revisor envia dúvidas ao autor. T. E. Lawrence responde aos questionamentos levantados pelo revisor.
5. Sai pra lá, revisor. The Seven Pillars of Wisdom: A Triumph ("Os Sete Pilares da Sabedoria: um Triunfo") é a autobiografia de T. E. Lawrence, o Lawrence da Arábia. O livro conta as aventuras de Lawrence quando servia como elo clandestino entre o exército britânico e os rebeldes árabes durante a revolta contra o Império Turco Otomano, entre 1916 e 1918, que resultou na queda de Damasco em 1918.
O prefácio do livro contém uma anedota sobre a relação desleixada de T. E. Lawrence com as informações do seu texto, conforme demonstram suas reações às notas do revisor das provas do livro: . Editor: Anexo uma lista de questões levantadas por F., que está lendo as provas. Ele as achou muito bem escritas, mas cheias de inconsistências na grafia dos nomes próprios, um ponto a que muitos revisores geralmente dão importância. Você poderia corrigi-las nas margens, para que possamos deixar as provas corretas? . T. E. Lawrence: talvez não seja muito útil. Os nomes árabes não são traduzíveis para o inglês, exatamente, porque suas consoantes não são as mesmas que as nossas, e suas vogais, como as nossas, variam de região para região. Há alguns "sistemas científicos" de transliteração, úteis para pessoas que sabem o suficiente do árabe para não precisarem de ajuda, mas que são alienadores para as pessoas comuns. Seja como for, soletrarei meus nomes para mostrar como esses sistemas são uma droga.
. Editor: Jeddah e Jidda usadas livremente em todo o texto. Foi intencional? . T. E. Lawrence: Certamente!
. Editor: Bir Waheida era Bir Waheidi. . T. E. Lawrence: Por que não? É tudo um lugar só.
. Editor: Item 20. Nuri, Emir de Ruwalla, pertence à "tribo de Rualla". No item 23, "o cavalo de Rualla", e no item 28, "assassinou um Rueli". Em itens posteriores "Rualla". . T. E. Lawrence: Eu deveria ter usado também Ruwala e Ruala.
. Editor: Bisaita também é grafada Biseita. . T. E. Lawrence: Ótimo.
. Editor: Jedha, o camelo fêmea, era Jedhah no item 40. . T. E. Lawrence: Ela era um animal esplêndido.
. Editor: "Meleager, o poeta imoral." Coloquei "poeta imortal", mas o autor parece querer de fato dizer "imoral". . T. E. Lawrence: Conheço a imoralidade. Sobre a imortalidade não posso julgar. Faça como quiser: Meleager não nos processará por calúnia.
. Editor: Item 65. Autor é denominado "Ya Auruns", mas no item 56 era "Aurans". . T. E. Lawrence: Também Lurens e Runs: para não mencionar "Shaw". Elaborarei depois, se o tempo permitir.
. Editor: Item 78. Sherif Abd el Mayin do item 68 se torna el Main, el Mayein, el Muein, el Mayin e el Muyein. . T. E. Lawrence: Beleza. Achei isso extremamente engenhoso. Quem pode, pode. Adivinhe o que aconteceria se um escritor iniciante agisse desse modo?
Texto disponível em Roteiro Romanceado. O original em inglês está aqui . |
| 09.09.2008 • 22:13 • comentários (1) |
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Dicas para o revisor
Fiz uma coletânea de dicas do Pablo Vilela sobre revisão de textos no Cadê o Revisor?.
Todas são ótimas e essenciais, mas especialmente o Não Mude sem ter uma boa razão e Os Três Mandamentos, porque englobam as demais, devem ser seguidas à risca se você quer ser um revisor de textos profissional, em vez de um caçador de erros alheios.
Não Mude (4 Setembro 2008)
Dizem que mudar faz bem. Na revisão não é bem assim.
Para mudar, o revisor deve ter certeza. Convicção só se adquire com estudo, trabalho e despudor em perguntar. Diante da certeza, a necessidade de mudança precisa ser comprovada.
Mesmo sabendo o que faz, ainda que a mudança seja forçosa, saiba justificá-la. Quando menos esperar, será questionado e cobrado.
Na dúvida, não mude. Não tenha dúvida. Mude consciente.
Os Três Mandamentos (5 Maio 2008)
Estes mandamentos foram elaborados pelo Tom e estão na parede de seu escritório. Servem para todos os revisores. Ponha-os na parede de seu local de trabalho.
Faça apenas alterações que você possa justificar.
Só altere se for realmente necessário.
E acrescento o mais batido dos mandamentos.
O cliente tem sempre razão.
Literatura Específica (3 Março 2008)
Sugestão da Anny, a dica do mês é uma lista dos livros que mais uso como revisor. Claro que sua lista será diferente da minha. Uns gostam de determinado autor, uns têm dificuldade com certo tema, uns têm cliente que impõe normas específicas. Enfim, o trabalho de cada um tem pormenores que pedem diferentes obras. Listo uma literatura útil para nós, revisores de todos os gêneros textuais, estilos e graus de experiência.
1. Gramáticas Digam o que disserem, revisor precisa dominar a gramática normativa. O cliente exige esse domínio. Mesmo as escolares, de Cegalla, Terra, ou do autor de sua preferência, serão úteis. Para se aprofundar no estudo, prefira os clássicos Bechara, Cunha ou Rocha Lima.
2. Dicionários de língua portuguesa Mantenha seu dicionário a uma distância segura. Não importa o que aconteça, não se separe dele. Existem hoje dois dicionários de língua portuguesa: Aurélio e Houaiss. Desconsidere qualquer outro. Abuse da informática e prefira os eletrônicos: mais práticos, baratos, portáteis e com ferramentas extras. Não se esqueça de que pirataria é crime.
3. Dicionários diversos Quanto mais dicionários tiver, mais preparado para as dificuldades da profissão você estará. Tenha os de língua estrangeira (ao menos as mais faladas), de lingüística, específicos da área em que atua, todos que chegarem a suas mãos. Tenha, principalmente, um de regência nominal (a verbal está no dicionário de português).
4. Literatura específica Por fim, há os livros específicos sobre revisão de textos. Há? Bem, até há. São poucos e obsoletos, mas contam a história da profissão, de quando ainda éramos conhecidos como revisores tipográficos. Velhos tempos, mas bonitos de se conhecer.
Erro na Capa (5 Agosto 2007)
A dica este mês é tomar cuidado com as capas. Não há nada pior do que você fazer uma revisão perfeita naquele livro, naquela revista, naquele fôlder, e logo na capa, no título, faltar uma letra, um acento. Está destruído seu trabalho, com requintes de crueldade. Durante semanas, meses, talvez anos, o erro será lembrado e servirá de exemplo para os mais impiedosos caçadores de erros grotescos.
Revise com redobrada atenção as capas, títulos e todos os textos de pequena extensão que apareçam em destaque. É neles que os erros se tornam mais visíveis.
Códigos de Revisão (1 Julho 2007)
Os temidos códigos de revisão não têm motivo algum para ser temidos. Existem para simplificar a vida tanto do revisor quanto do diagramador, arte-finalista ou quem quer que seja responsável pelas emendas.
São símbolos usados há décadas para resumir o que precisaríamos de uma ou mais palavras para dizer. Então, nada de puxar foguetes (setas) do meio do texto. Para facilitar a vida de todo mundo, usemos os códigos criados para isso.
Esta tabela, que traz alguns dos símbolos mais usados, tem por base várias fontes, além da experiência do dia-a-dia de revisor, e foi construída com a preciosa colaboração do arte-finalista Zé Alves.
E Etc. (4 Março 2007)
No tempo em que o césar compartilhava com Júpiter o poder sobre os homens, etc. era uma locução conjuntiva.
De lá para cá, deuses desapareceram, imperadores foram substituídos por presidentes, a língua mudou de nome e etc. passou a ser a abreviatura de um substantivo usado para encerrar enumerações.
Naturalmente, precedido de vírgula ou (por que não?) da conjunção e, como os demais itens da seqüência. Mais dicas em Cadê o Revisor? |
| 05.09.2008 • 19:57 • comentários (1) |
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