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Um teste para saber quanto você está ou não por dentro do NÃO. Mais uma dica do Tom Fernandes.
Que susto! Procurando por imagens com “NÃO” para ilustrar o teste, encontrei o movimento Gato Não. Felizmente é só uma campanha contra jogadores com alguma irregularidade, seja ela a idade, seja a matrícula na escola, ou qualquer outro motivo” nos Jogos Escolares de Minas Gerais.
A minha professora de inglês Eliane (agora tenho duas para ver se aprendo...) me emprestou o livro “Inglês para curiosos”, de Jack Scholes. A cada página há uma expressão em inglês, com os sentidos possíveis em português e a explicação da origem da expressão. Se já é divertido quando lemos sobre a origem de expressões na nossa língua, com as quais estamos acostumados, mais ainda é descobrir as de outro idioma. Gostei especialmente de “over de moon” porque tem um gatinho envolvido com ela, embora a vaca seja a protagonista. Vem dos versos da canção de ninar Hey Diddle Diddle .
Hey diddle diddle, The cat and the fiddle, The cow jumped over the moon. The little dog laughed to see such fun, And the dish ran away with the spoon.
É uma expressão bem parecida com a que temos em português, “no mundo da lua”, mas o sentido é diferente. Significa: encantado, eufórico, entusiasmado, feliz da vida. A mais aproximada seria “estar nas estrelas”, mas acredito que a nossa expressão tenha um sentido mais “etéreo” do que a força e energia que “over de moon” indica.
Quando escrevi o texto anterior, coloquei na mesma frase cães e gatos e fui procurar uma imagem no Google. Descobri a expressão “raining cats and dogs”
O que mais me chamou a atenção é que há ínumeras ilustrações para a frase. É uma imagem bonita, bem mais sugestiva que “chover canivete”, a equivalente em português.
Imagens:
Outras expressões com a palavra "gato":
“brigar como cão e gato” “pulo do gato” “quem não tem cão caça com gato” “gato escaldado tem medo de água fria” “gato por lebre” “fazer gato-sapato” “uns gatos-pingados”
Esta frase foi decisiva para a minha mudança para Chapecó. Foi com ela que exemplifiquei a abordagem funcionalista e formalista da linguagem na aula didática do concurso que prestei para professor de Língua Portuguesa e Lingüística da Unochapecó em 10 de julho de 2003.
O ponto da prova era “Os paradigmas formal e funcional: conceitos básicos, métodos e repercussões no ensino de línguas”. Uma das professoras da banca, Edair Gorski, era e é especialista em estudos funcionalistas, mas eu não sabia ao certo. Aliás, a prova era numa quinta-feira e apenas na terça-feira anterior fiquei sabendo do sorteio do ponto da aula didática (estava convicta de que seria sorteado apenas dois dias antes e não verifiquei na internet). Já era início da noite quanto fui para a biblioteca da PUC, em Porto Alegre, pegar mais textos a respeito do tema – o que eu não precisava, para ajudar, era uma chuva torrencial que me deixou ensopada...
Era o dia mais frio do ano em Chapecó, mas tinha sol. Prova escrita pela manhã e prova didática à tarde.
Na prova didática, depois de apresentar um panorama histórico dos paradigmas formal e funcional e os conceitos de língua, papel da língua, competência, língua e uso, aquisição da língua e universais lingüísticos vinculados a cada um dos paradigmas, relacionei os paradigmas ao métodos de ensino de línguas. Aí que entrou a fala do Piu-piu: “Eu acho que vi um gatinho!”. Para facilitar a explicação, simplifiquei a frase para “Eu vi um gatinho”.
Paradigma formal No paradigma formal de ensino são analisadas as estruturas sintáticas da frase e seus termos. Assim, dá-se ênfase ao verbo, que pode ser substituído por outros, como “encontrei”, “comprei” e assim se mudaria o sentido da frase. Da mesma forma, cada um dos termos pode ser substituído: gatinho/cachorro/brinco/homem; um/o/dois/este/cada/; Eu/Nós/Vocês/Pedro/O cão. As substituições implicam tanto mudanças de sentido como adequações de flexão quanto à concordância verbal e nominal.
Paradigma funcional Do ponto de vista funcional, a pergunta a ser feita é: “Como esta fase funciona pragmaticamente?”. A mesma estrutura subjacente (estes são os termos que utilizei na época) pode levar a uma série de expressões alternativas (pela entonação e pela ordem dos constituintes).
Há várias possibilidades de entonação para a frase na fala: a. Eu vi um gatinho. b. Eu vi um gatinho. c. Eu vi um gatinho. d. Eu vi um gatinho.
Ou pode haver a mudança de ordem dos termos:
e. Um gatinho eu vi.
Cada uma das frases é comunicativamente adequada a uma situação. Imagine que alguém tenha perguntado:
“Quem viu o gatinho?”
A resposta adequada é a letra “b”, e a letra “a”, por exemplo, não é possível.
Às perguntas “Quantos gatinhos você viu?”, “O que você viu?”, “Era um gato ou um rato?” corresponderão respostas diferentes, mesmo que a frase tenha a mesma estrutura.
Nesta altura da aula, um dos membros da banca me ajudou acrescentando perguntas. Provavelmente neste momento já tinha sido aprovada – o primeiro lugar foi a soma dos gatinhos com os passarinhos, mais a sorte de eu mesma ter sorteado o ponto “A articulação entre lingüística e o ensino de Língua Portuguesa” para a prova escrita, mais o currículo e a entrevista. Nesta última, coloquei-me disponível para me mudar imediatamente para Chapecó. Não menti. Aqui estou há quatro anos e meio.
Começaram esta semana as provas de vários concursos para professores na Unochapecó (95 ao total). Por isso que me lembrei do Frajola e do Piu-piu. E nem mencionei o Reinaldo Gianecchini.
Para saber mais:
A linha funcionalista, especialmente a consideração das funções da linguagem, governa, ainda, as investigações relativas ao ensino da gramática, e as propostas que, nesse sentido, vêm sendo feitas por Neves (1990b; 1993c). Defende-se a necessidade de determinação do valor das palavras a partir de uma análise que leve em consideração a possibilidade de o próprio estatuto sintático de algumas classes ser depreendido desse estudo (Neves, 1991b). Entre outras questões relativas ao ensino da gramática, discute-se a natureza da gramática ensinada nas escolas, defendendo-se que o funcionamento das classes de palavras seja observado no seu funcionamento no discurso, já que o texto é a unidade na qual se manifesta o complexo das funções que a língua exerce por meio da combinação das unidades menores (Neves, 1996d).
Em 'A gramática funcional', Neves (1997b) apresenta a gramática funcional como uma gramatica de uso. É uma gramática que busca, essencialmente, verificar como se processa a comunicação em uma determinada língua, e, para isso, não assume como tarefa descrever a língua enquanto sistema autônomo e, portanto, não desvincula as peças desse sistema das funções que elas preenchem. Vê a relação entre estrutura e função como algo instável, que reflete o caráter dinâmico da linguagem. Considera que, na produção dos enunciados, forças internas (fonológicas, sintáticas e semânticas) e forças externas interagem, entrando em competição. Desse modo, não abstrai de sua análise o contexto global do discurso, e é dentro dele que procura relacionar forma e sentido.
NEVES, Maria Helena de Moura. Estudos funcionalistas no Brasil. Delta Documentação de Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada, v. 15, n. especial. São Paulo: Educ, 1999.