Particular
Alunas conversando paralelamente enquanto há uma interpretação coletiva de um texto em aula.
— Quer falar algo, fulana?
— Não, não era sobre a aula.
O tititi continua.
— Algum comentário, fulana?
— Se não quer participar, por favor não converse.
— Não estou atrapalhando!
— Você não está tendo uma aula particular para poder fazer o que quer. Temos uma turma aqui – o trabalho é coletivo.
— Estou sim. Eu estou pagando para estudar numa universidade particular!
Como era aula de língua portuguesa, deveria ter dado como tema de pesquisa as diferentes acepções da palavra particular:Particular adjetivo de dois gêneros
2 próprio ou de uso exclusivo de alguém; privativo, privado Ex.:
6 Rubrica: termo jurídico. que pertence ao indivíduo, pessoa natural ou jurídica, na ordem privada, p.opos. ao que se relaciona com o que é inerente à ordem pública (Dicionário eletrônico Houaiss). Fiquei muito nervosa para simplesmente encerrar o assunto e dizer para a querida aluna procurar um “amansa-burro”.
Cenas como esta, antes restritas ao ensino fundamental e médio, são cada vez mais comuns na universidade. Trata-se do novo aluno que costuma estar chegando à nova universidade brasileira. E o professor tem que estar sendo um novo professor para estar preparando o novo aluno para o novo conhecimento que ele precisa estar sabendo para estar autuando profissionalmente.
Como eu já tenho uma mentalidade de velha desde criança...
 Imagem retirada daqui. |
| 05.10.2008 • 10:55 • comentários (1) |
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Todos releem as regras e se mantêm calmos
Só os que prestam atenção veem as sutis diferenças. O vôo, por exemplo, não dá mais enjoo.
Continuo tentando entender as novas regras ortográficas do NAO (Novo Acordo Ortográfico). Entender sem confundir.
Pensei que cairiam todos os acentos dos hiatos "ee" e "oo", mas não é tão simples assim.
BASE IX
DA ACENTUAÇÃO GRÁFICA DAS PALAVRAS PAROXÍTONAS
1º) As palavras paroxítonas não são em geral acentuadas graficamente: enjoo, grave, homem, mesa, Tejo, vejo, velho, voo; avanço, floresta; abençoo, angolano, brasileiro; descobrimento, graficamente, moçambicano.
É verdade. Costumo dizer aos meus alunos. Olhem para os lados e listem palavras: parede, verde, homens, mulheres, garotos, classe, quadro, cortina, janela, teto, mesa, caderno, mochila, caneta...
Exceto “lápis”, “ventilador” e “lâmpada”, que arbitrariamente deixo de lado, todas as palavras que os alunos falam são paroxítonas não acentuadas, pois são a maioria das palavras em língua portuguesa. Elas terminam em “a(s)”, “e(s)”, “o(s)” e “em(ens) e não levam acento.
Tudo bem até aqui. Agora vejamos:5º) Recebem acento circunflexo:
[...]
c) As formas verbais têm e vêm, 3as pessoas do plural do presente do indicativo de ter e vir, que são foneticamente paroxítonas (respectivamente /tãjãj/, /vãjãj/ ou /te)e)j/, /ve)e)j/ ou ainda /te)je)j/, /ve)je)j/; cf. as antigas grafias preteridas, têem, vêem, a fim de se distinguirem de tem e vem, 3as pessoas do singular do presente do indicativo ou 2as pessoas do singular do imperativo;
e também as correspondentes formas compostas, tais como:
abstêm (cf. abstém), advêm (cf. advém), contêm (cf. contém), convêm (cf. convém), desconvêm (cf. desconvém), detêm (cf. detem), entretem (cf. entretém), intervêm (cf. intervém), mantêm (cf. mantém), obtêm (cf. obtém), provêm (cf. provém), sobrevêm (cf. sobrevém).
Obs.: Também neste caso são preteridas as antigas grafias detêem, intervêem, mantêem, provêem, etc. Ou seja, no Brasil nada mudou na regra dos acentos diferenciais de ter, vir e derivados quando terminam com “em”.
No singular:
você vem, você tem, você mantém, você retém
No plural:
vocês vêm, vocês têm, vocês mantêm, vocês retêm
A mudança se refere apenas aos hiatos “ee” e “oo” (que levam acento na regra atual quando o primeiro “e” ou “o” é tônico:7º) Prescinde-se de acento circunflexo nas formas verbais paroxítonas que contêm um e tónico/tônico oral fechado em hiato com a terminação -em da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo ou do conjuntivo, conforme os casos:
creem deem (conj.), descreem, desdeem (conj.), leem, preveem, redeem (conj.), releem, reveem, tresleem, veem.
[...]
8º) Prescinde-se igualmente do acento circunflexo para assinalar a vogal tónica/ tonica fechada com a grafia o em palavras paroxítonas como enjoo, substantivo e flexão de enjoar, povoo, flexão de povoar, voo, substantivo e flexão de voar, etc. Em resumo:
Você vem e vocês vêm. Você tem e vocês têm. Esta regra convém e as outras não convêm. A caixa contém, e as caixas contêm.
Os pacientes releem a bula do remédio contra enjoos, mas não veem nada a respeito dos efeitos colaterais.
Para quem já não sabia as regras anteriormente, é lucro, pois tem a chance de aprender as novas sem se confundir muito. Mas para quem as sabia é inevitável comparar. Aliás, inevitavelmente os professores de português terão de dar suas aulas explicando que “era assim antes, mas agora...”. Ficaremos por anos com o “antes” e “depois”. |
| 04.10.2008 • 11:10 • comentários (0) |
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Ainda há saída para a saúde
Quando soube que os acentos dos ditongos “ói”, “éu” e “éi” cairiam, pensei que seria em todas as palavras. Só estudando melhor o acordo e o guias que o explicam é que entendi que se mantêm os acentos das oxítonas terminadas com estes ditongos (na verdade, com os dois primeiros, pois nenhuma palavra oxítona é terminada com “éi” – há apenas com “éis”, como “fiéis”).
Aconteceu o mesmo com os hiatos em “i” e “u”. Pensei que cairia o acento de todos os hiatos “i” e “u” tônicos que formam sílabas sozinhos (esta é a regra atual). Fiquei pensando que a nossa saúde ficaria mais precária ainda. Mas, felizmente, só não haverá acento nestes hiatos quando ocorrerem depois de ditongo, o que resume a regra a uns poucos exemplos:
aiuba, auiba, baiuca, bocaiúva, boiuno, cauila, cauira, curuira, feiura, tauismo, tauista, tauistico.
Olha que confusão:
4º) Prescinde-se do acento agudo nas vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras paroxítonas, quando elas estão precedidas de ditongo:
baiuca, boiuno, cauila (var. cauira), cheinho (de cheio), sainha (de saia).
5º) Levam, porém, acento agudo as vogais tónicas/tônicas grafadas i e u quando, precedidas de ditongo, pertencem a palavras oxítonas e estão em posição final ou seguidas de s:
Piauí, teiú, teiús, tuiuiú, tuiuiús.
Obs.: Se, neste caso, a consoante final for diferente de s, tais vogais dispensam o acento agudo:
cauim. (NAO) Não consegui entender por que “cheinho” e “sainha” foram citados como exemplos no parágrafo 4º), já que a meu ver se enquadram nesta regra: 2º) As vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas não levam acento agudo quando, antecedidas de vogal com que não formam ditongo, constituem sílaba com a consoante seguinte, como é o caso de nh, l, m, n, r e z:
bainha, moinho, rainha; adail, paul, Raul; Aboim, Coimbra, ruim; ainda, constituinte, oriundo, ruins, triunfo; atrair, demiurgo, influir, influirmos; juiz, raiz; etc. (NAO) Observe a semelhança entre “moinho” e “cheinho” e entre “rainha” e “sainha”. Será que foram parar lá por falta de exemplos de hiatos antecedidos de ditongos?
Permanecem, portanto, os acentos em hiatos “i” e “u” não-precedidos de ditongo. A regra é quase a mesma: 1º) As vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas levam acento agudo quando antecedidas de uma vogal com que não formam ditongo e desde de que não constituam sílaba com a eventual consoante seguinte, excetuando o caso de s:
adaís (pl. de adail), aí, atraí (de atrair), baú, caís (de cair), Esaú, jacuí, Luís, país, etc.; alaúde, amiúde, Araújo, Ataíde, atraiam (de atrair), atraísse (id.) baía, balaústre, cafeína, ciúme, egoísmo, faísca, faúlha, graúdo, influíste (de influir), juízes, Luísa, miúdo, paraíso, raízes, recaída, ruína, saída, sanduíche, etc. (NAO) Ficou mais longa apenas a explicação e a delimitação. Esta é praticamente inútil, pelo menos no português do Brasil, pois basta ter “saúde” na “saída” e não escrever “baiuca” (que já era sem acento além-mar) nem “feiura” para continuar tudo igual (afinal, quem conhece as demais palavras?). Serão boas pegadinhas para concursos públicos que querem testar a capacidade de decorar exceções em vez do domínio da língua.
Imagem daqui.
Obs.: Entre os inúmeros erros de língua portuguesa do acordo (não se preocuparam em submetê-lo a uma revisão de textos), observe a palavra "atraiam" grafada sem acento, apesar de citada como um exemplo de palavra que leva acento! |
| 03.10.2008 • 22:26 • comentários (0) |
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Será que o herói já estava comendo pastéis?
Onde estava o herói de chapéu na platéia que não nos salvou do NÃO?
Tinha esquecido completamente do "herói de chapéu na platéia" (mnemônico ensinado nas aulas de português para lembrar o acento dos ditongos abertos "éu", "éi" e "ói"), mas o encontrei em um comentário do texto Ao lusófono as batatas, no blog do Pablo.
Com o acordo ortográfico o nosso herói continuará existindo, com chapéu e tudo, mas terá de ir para outro lugar assistir ao filme ou a peça (drama ou comédia) que se desenrolará nos próximos anos, quando duas grafias serão possíveis. Como "platéia" não será mais acentuada, supõe-se que o herói de chapéu vai comer pastéis.
Os ditongos “éi” e “oi” não serão mais acentuados nas palavras paroxítonas, mas continuarão sendo nas oxítonas. No Brasil, as seguintes palavras paroxítonas tinham (e têm até o final do ano de 2008) acento:
alcalóide, alcatéia, andróide, apóia (verbo apoiar), apóio (verbo apoiar), assembléia, asteróide, azóico, bóia, boléia, celulóide, clarabóia, colméia, combóia, Coréia, coréico, epopéico, debilóide, epopéia, estóico, estréia, estréio (verbo estrear), estróina, geléia, hóia, heróico, idéia, intróito, jibóia, jóia, odisséia, onomatopéico, paranóia, paranóico, platéia, protéico, tramóia, zóico.
Em 2009 deverão ser escritas assim:
alcaloide, alcateia, androide, apoia, apoio, assembleia, asteroide, azóico, boia, boleia, celuloide, claraboia, colmeia, comboia, Coreia, coreico, debiloide, epopeia, epopeico, estoico, estreia, estreio (verbo estrear), estroina, geleia, hoia, heroico, ideia, introito, jiboia, joia, odisseia, onomatopéico, paranoia, paranoico, plateia, proteico, tramoia, zoico.
Já são acentuadas e continuam a ser as oxítonas terminadas em éis, éu(s), ói(óis):
anéis, batéis, céu(s), chapéu(s), ilhéu(s), véu(s); corrói (de correr), herói(s), papéis, pastéis, quartéis, remói (de remoer), sóis, troféu(s).
A justificativa dos acordistas para retirar os acentos destas palavras se baseia na variação da pronúncia (aberta ou fechada) das paroxítonas com ditongos “ei” e “oi”. A seguir o parágrafo terceiro da base IX do NÃO:3º) Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tónica/tônica das palavras paroxítonas, dado que existe oscilação em muitos casos entre o fechamento e a abertura na sua articulação:
assembleia, boleia, ideia, tal como aldeia, baleia, cadeia, cheia, meia;
coreico, epopeico, onomatopeico, proteico;
alcaloide, apoio (do verbo apoiar), tal como apoio (subst.), Azoia, hoia, boina, comboio (subst.), tal como comboio, comboias, etc. (do verbo comboiar), dezoito, estroina, heroico, introito, jiboia, moina, paranoico, zoina.
(Fiz aqui uma separação visual, obedecendo aos pontos-e-vírgulas do texto, mas não consegui entender a lógica...).
Pelo jeito não existe a mesma oscilação de pronúncia nas oxítonas e o acento, então, se mantém. Não é à-toa que o NÃO é tão criticado por suas justificativas fonéticas...
Para uma explicação clara sobre todas as mudanças, consulte o Guia prático da nova ortografia. |
| 01.10.2008 • 11:31 • comentários (0) |
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Em reforma
A reforma ortográfica é o tema da edição de agosto e setembro da revista Flash Vip , n. 29, de Chapecó. A cobertura do assunto, feita pela jornalista Silvane Alves dos Santos, ficou muito boa.
“Filólogos e linguistas discutem. Uns aprovam, outros não a vêem com bons olhos. A ideia é padronizar!” Esta frase inicia a reportagem, mostrando empiricamente as futuras mudanças.
Além de mim, foram entrevistados:
o Presidente da Colip (Comissão dos Países de Língua Portuguesa) Godofredo Oliveira Neto; a professora de educação infantil Cassiana Caon o jornalista e professor Hugo Paulo Gandolfi de Oliveira a professora de língua portuguesa Mary Stela Surdi; o escritor português e presidente da ACHE (Associação dos Escritores de Chapecó) Torres Pereira; a auxiliar administrativa Juliane Kuhn; a gerente de ensino fundamental de Chapecó Ligia Paula de Farias; a professora Rosângela Prestes Neitzke; a professora de língua portuguesa e revisora Arisângela Denti; a professora de língua portuguesa Rosa Maria Cominetti; a gerente executiva da Abrelivros (Associação Brasileira de Editoras de Livros) Beatriz Grellet; a revisora de textos Jakeline Mendes Ruviaro.
Com tanta gente dando o seu “pitaco” sobre o acordo, há uma visão bem ampla de como será a recepção das novas mudanças na área educacional, editorial e também no dia-a-dia dos brasileiros.
Na mesma edição, uma entrevista sobre variação lingüística com a professora Mary Bortolanza Spessatto, minha colega da Unochapecó.
Boa leitura! |
| 23.09.2008 • 21:08 • comentários (0) |
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