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dia-a-dia icon Nada de limonada

R$ 4,00 o quilo do limão em uma fruteira perto da minha casa. Será que é importado dos EUA? Ou outubro é o mês em que os limoeiros não dão limão? “A gente compra só um ou dois”, diz o Eduardo. “Que diferença faz o preço?”

O quilo do limão estava R$ 1,90 em julho; de uma semana para outra subiu para R$ 2,50 e logo no outro dia pra R$ 2,75. Caminhando algumas quadras, encontrei pelo preço de R$ 1,90. Talvez não tivessem reajustado ainda. Mas os R$ 4,00 de agora me assustaram.

Descobri que ver os números azedos do limão subirem não é maluquice minha. O negócio é tomar suco de laranja ou bergamota até o final do ano. Em 2006 o limão subiu 427% do início do ano até setembro, passando a ser vendido por R$ 3,00. Em 2004 aumentou 1000% no mesmo período e 2008 aumentou 14% de um mês para outro.

Portanto, limonada e cura do limão só no verão.

Procurando imagens para ilustrar este post, encontrei este interessante utensílio. Será que funciona? Porque sujar o espremedor para apenas um limão não vale a pena.

Espremedor de limão
À venda aqui.
13.10.2008 • 10:28 • comentários (0)

dia-a-dia icon Desconto
Não tenho muita paciência para fazer compras, nem mesmo para ir ao supermercado. Não significa que não seja consumista e até um pouco perdulária (meu gasto maior é com ração de gatos, na verdade).

Já me ensinaram e há orientações até mesmo na TV sobre a importância de pechinchar. Só depois de muito ouvir falar que o lojista nunca perde é que estou aprendendo a perguntar pelo desconto. Sempre tem: R$ 0,50, R$ 1,00 ou mais, depende do valor da compra. Hoje, entre shampoos, tapa-olhos e óculos de natação, R$ 4,00 de desconto.

Só na loja de esportes, na compra do óculos, é que se recusaram terminantemente a dar desconto pelo preço a vista e ameaçaram juros se eu quisesse parcelamento no cartão. Juros nem pensar. Já chega tudo que perdemos de dinheiro por um motivo ou outro, como esquecer as chaves no trabalho e ter de chamar um chaveiro... Esta é outra história.

Aproveito para, no espírito anticompralino, divulgar esta campanha do Grupo Gaia de Portugal. Tem um texto a respeito do movimento aqui .


Natal sem compras
28.11.2007 • 11:36 • comentários (2)

dia-a-dia icon Sociedade do controle
Sempre penso que se alguma entidade eletrônica cruzar os dados digitais pode traçar exatamente o nosso caminho diário: cartão de crédito, cartão de débito, caixa eletrônico, ponto no trabalho, cartão na escola, na academia, no atendimento médico, na biblioteca, controle de livros emprestados da biblioteca, DVDs na locadora, viagens aéreas, passe no ônibus, internet e todas as senhas e os dados lançados nela, ligações telefônicas com senha no trabalho, ligações do celular, senha ou chave eletrônica do condomínio... só para citar registros digitais e individuais, sem contar assinaturas e tudo que envolve papel.
17.05.2007 • 23:20 • comentários (2)

dia-a-dia icon Bombom Minimercado

Um minimercado por perto faz toda a diferença na qualidade de vida urbana de uma pessoa. Poder sair de casa a qualquer hora do dia ou da noite e comprar um lanchinho, uma fruta, uma guloseima ou ingredientes para uma big refeição tranqüiliza o nosso medo ancestral de passar fome. Se quebrou uma torneira, caiu um quadro da parede, faltou um produto de limpeza, é só ir ao mercadinho comprar. Uma revista ou jornal para passar o tempo? No mercadinho tem. A havaiana arrebentou? Procure no mercadinho – na Bombom certamente você encontra.

Parece que sou agente publicitário ou parente dos donos, mas na verdade sou apenas cliente e vizinha. Atravessando a a principal avenida de Chapecó, Getúlio Vargas, tenho acesso à Bombom, um minimercado que poucas cidades grandes podem se dar ao luxo de ter. Moro aqui há quase três anos e sempre me surpreendo com a diversidade de produtos disponíveis, bem distribuídos e organizados em aproximadamente 50 m2. É possível encontrar tudo, de diferentes marcas. As atendentes são, ainda por cima, simpáticas e atenciosas. Se não tem algo, elas justificam, em vez de dizer a famosa frase “está para chegar”.

Por incrível que pareça, o preço dos produtos não é muito mais caro do que um supermercado e alguns itens como chocolates (o que mais compro) às vezes são até mais baratos. Dois outros minimercados se instalaram nas quadras próximas, mas não conseguiram bater a concorrência – faltou diversidade e qualidade dos produtos à venda.

Se você vir a Chapecó, confira: Bombom Minimercado, na avenida Getúlio Vargas, ao lado do hotel Itatiaia. Aproveite para comprar pão e venha tomar um café comigo.
02.05.2007 • 20:30 • comentários (3)

dia-a-dia icon O espírito compralino
Musiquinhas de Natal me dão arrepios nervosos. Toucas vermelhas nos funcionários do comércio provocam-me a tentar assegurar ao trabalhador o direito de não fazer papel de ridículo por causa de seu emprego. Comprar presentes por obrigação também não é do meu agrado. De fato, tenho dificuldades para entrar no espírito natalino.

Amigo secreto de final de ano no trabalho – a parte dos bilhetes é suprimida, afinal quem quer se dar ao trabalho de escrever mensagens anônimas e criativas para uma das criaturas com quem trabalha todo dia? Para facilitar, há a indicação do presente que se deseja receber. Na hora da revelação, o sorriso amarelo finge surpresa – o colega comprou exatamente o que o mandamos comprar. Bom, pelo menos tem-se o prazer de ter delegado a compra.

Entendo a necessidade de impulsionar o comércio no período do décimo terceiro salário (vai que o trabalhador resolva poupar...) a fim de garantir o famoso “crescimento econômico”. Fazer distribuição de renda, ainda que seja dos que já tem para o que querem mais ainda – esse é um dos lemas implícitos de Natal.

Por outro lado, reivindicar o espírito cristão e humanizador da data, alegando que Natal não significa apenas comércio, só surte efeito para quem é cristão e praticante de sua religião; para os demais, é só papo moralizante tentando justificar a ânsia de consumo. Aliás, mais chato do que o marketing de Natal é a defesa do “espírito natalino”.

A noção de crescimento econômico está equivocada, como alertam os ecologistas. Crescer em nome da exploração e do consumo gera um impacto ao meio ambiente, que, por sua vez, causa danos irreversíveis ao planeta e à saúde dos seres vivos. Para tentar reparar os danos, mais gastos e mais impacto são necessários. Consumir e produzir mais acaba saindo mais caro para todo mundo em todos os sentidos a médio e longo prazos (que são bem curtos atualmente).

Comprar, comprar, comprar. De preferência com uma embalagem bonita, como anunciam algumas lojas: “Presente de Natal é na ***** [...] com embalagens maravilhosas.” Plástico, papel, isopor, madeira, os “embrulhos”, como se dizia antigamente, são naturalmente todos jogados fora no dia 25 de dezembro. Antes disso, o espírito compralino deixa as pessoas em alvoroço pelas ruas.

Os presentes são dados, a felicidade e a alegria são divididos, mas a que preço? São indispensáveis todas as coisas inúteis compradas e trocadas no Natal? O décimo terceiro comprometido, as prestações até março e abril (na melhor das hipóteses) e os juros significam mais trabalho, mais aprisionamento.

Se em vez do espírito compralino, as pessoas se motivassem a fazer coisas de que gostam. Embora possivelmente gostem muito de comprar, poderiam tentar descobrir outras formas de se alegrar e alegrar os outros – mais baratas ou mais caras –, mas que não envolvessem ter que dar uma lembrancinha (um mimo) a todo mundo que conhecem. Talvez surgisse a possibilidade do não-presente, do não-impacto, do não-desgaste.

Quem sabe mais atividades culturais, artísticas, esportivas, religiosas...? Quem sabe mais tempo para curtir os amigos e familiares, trabalhando menos e tendo mais lazer?
22.12.2006 • 20:37 • comentários (2)

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