registrar-seusuários
literatura icon La Marchande d'Amours

Ontem estava lendo “História dos nossos gestos”, de Câmara Cascudo. É impressionante como ele consegue descrever gestos comuns, às vezes tão incorporados ao nosso dia-a-dia que não percebemos nem a existência deles nem o significado. A descrição de “Dar bananas” me chamou a atenção pela pintura “La Marchande d'Amours” citada no final. Fiquei curiosa para vê-la.
Dar bananas

Mímica obscena, vestuta e plebéia, tradicional em Portugal, Espanha, Itália, França, com idêntica significação exibicionista e fálica. [...] Bate-se com a mão no sangradouro do outro braço, curvando e elevando este, com a mão fechada. O antebraço, oscilando figura o membro viril. Também põem o antebraço na curva interna do outro. [...] O gesto motivou La Marchand d’Amours (1754), de Joseph-Marie Vien, encomendado por Madame de Pompadour, gravado por Guay, para o castelo de Fontainebleau. Um dos “amores” galantemente divulga o gesto.” (Luís da Câmara Cascudo. História dos nossos gestos. São Paulo: Global, 2003, p. 220-221).
La Marchande dAmours, 1763, Oil on canvas, 117 x 140 cm, Musée National du Château, Fontainebleau
Imagem daqui.

Nunca teria imaginado que os “amores” eram pequenos cupidos.
02.10.2008 • 11:32 • comentários (0)

literatura icon Leituras paralelas

A internet nos trouxe algo que nem imaginaríamos ser possível antes: rastrear as leituras e citações dos textos que lemos. Mesmo que tivéssemos uma maravilhosa enciclopédia ou uma grande biblioteca para fazer consultas, seria imensamente demorado fazer o que agora com uma consulta entre aspas no Google temos em segundos.

Leio os seguintes versos do Prefácio Interessantíssimo de Mário de Andrade:
Andarei a vida de braços no ar, como o
“Indiferente” de Watteau.
Que imagem é esta? Trata-se de um poema? Nem mesmo o autor eu conheço.

Pura ignorância.

É uma pintura, e Watteau um pintor francês do século XVI:

L' Indifférent


A seguir uma descrição de Ángel de Estrada, escritor argentino, do século XIX, sobre L' Indifférent:
[...] hermoso, elegante, y eso le basta [...] recita un rondel para oírse la propia voz, y los pájaros que, á fuerza de oírlo, saben el Ah! vous dirai-je maman! (canción popular del Conde de Ory), le gorjean desde las ramas: "tant faite pour charmer, / II faut plaire, il faut aimer" (Em Salón "La Caze" del Louvre», en El color, cit. pp. 70-71, citado por Maria Beatrice Lenzi.

O risco é se perder nas leituras paralelas e se esquecer de ler o texto que iniciamos.
27.09.2008 • 12:24 • comentários (0)

dia-a-dia icon António Dacosta

Porque tem um gato.


Obra de António Dacosta, artista português


Disponível aqui.
15.09.2007 • 23:17 • comentários (0)

design and coding by Eduardo Pinheiro, 2003-2006 • interDP engine v1.2