Drukpa Kunley Abençoa uma Imagem
É costume pedir a um grande lama que consagre novos ícones religiosos, sejam eles estátuas ou pinturas. Os Lamas geralmente jogam arroz abençoado sobre as imagens, consagrando-as como deidades.
UM DIA UMA FIEL velhinha apressava-se na direção do mosteiro no topo da colina onde o irmão de Drukpa Kunley era o principal lama. Em suas mãos ela segurava como a um bebê uma thangka nova, uma pintura em tecido, da deidade Sri Heruka. Certamente que o venerável abade a abençoaria!
Repentinamente, ela parou no caminho. Logo a sua frente estava o lendário santo homem louco, o próprio Drukpa Kunley.
O Drukpa perguntou polidamente porque alguém desejaria visitar o mosteiro. "Nada de interessante acontece por lá," ele adicionou. "Meu irmão vive como um rei por lá."
A fiél patrona relutantemente revelou sua missão. Ninguém no Tibete desconhecia a opinião que Kunley guardava dos mosteiros!
Drukpa Kunley pediu à senhora que desenrolasse a pintura de forma que ele pudesse ver a deidade. Reverentemente, ela o fez.
Rapidamente, ele levantou seu robe, agaixou-se e defecou no pergaminho. "É assim que *eu* abençoo imagens!" ele disse.
Aterrorizada, a mulher enrolou seu precioso pergaminho e subiu correndo a colina sagrada. Exausta, ela chegou aos aposentos do abade.
Ouvindo seu conto horripilante, ele riu muito alto. Ele realmente conhecia seu ultrajante irmão iluminado, Kunley, seu alter ego.
"Abra o pergaminho," o distinto abade ordenou. Humildemente, a nervosa mulher obedeceu.
Vejam só! Dentro do pergaminho havia um punhado de pequenas pepitas de ouro.
"O próprio Sri Heruka abençoou sua pintura," disse o abade. "Você não precisa de mim.
Era assim que Drukpa Kunley abençoava.
