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8. Problemas de praticante

O que fazer quando a busca pelo Darma se torna um ciclo de insatisfação?

É necessário corrigir a motivação.

Dá para avançar espiritualmente sem sofrer? Não é errado sofrermos para nos manter no caminho budista?

Se a pessoa tem mérito, ela pode progredir sem sofrer. Se ela não tem mérito, ela vai sofrer. O sofrimento no samsara é inevitável, pelo menos o sofrimento para praticar o darma, que é minúsculo, se comparado aos sofrimentos do samsara, tem um fim e leva a este fim.

Mas de forma alguma a pessoa precisa buscar sofrimento ou sofrer quando ela pode evitar o sofrimento. Se ela pode evitar o sofrimento, ela com toda certeza deve fazê-lo. Ela só deve evitar se comportar como uma criança mimada, isso sim é contraproducente.

Se eu compreendo bem o darma e pratico, posso ensiná-lo a outras pessoas que me pedirem, sem eu ser um professor formal?

Você pode responder perguntas de acordo com o que sabe, sempre informando que não é um professor autorizado. É o que eu faço.

Mas você não pode dar ensinamentos sob requisição, isto é, se alguém pedir a você "ensine sobre as seis perfeições", você não deve ensinar a não ser que seja autorizado. Você pode direcionar a pessoa para uma fonte confiável, ou simplesmente informar os nomes das coisas envolvidas. Mas isso pode ser avaliado caso a caso também. É diferente a internet de uma conversa privada, e é diferente se há um professor disponível próximo, ou em breve, ou se não há.

Em outras palavras, a melhor oferenda é a oferenda de darma, mas antes de você ser verificado e autenticado por uma linhagem, a melhor atitude é manter o low profile e evitar falar do darma ao máximo. Algumas vezes antes de explicar alguma coisa eu espero me pedirem 3 vezes. Também o nível do ensinamento deve ser levado em conta. Isto é, lembrar alguém que computadores (ou outra coisa qualquer) são impermanentes não tem problema — mas explicar coisas como vacuidade e o trikaya... daí é perigoso. Eu mesmo quando me meto a falar sobre isso fico bem nervoso. Mas eu tenho essa tendência a tagarelice e ao exibicionismo, então não resisto e faço papel de bobo, colocando a mim mesmo e a outros sob a possibilidade de grave perigo... vergonha!

Percebo-me profundamente oscilante em emoções de medo e insegurança. Medito e recito Prajna Paramita como forma de me libertar dos apegos as essas oscilações emocionais. O que seria melhor fazer para não ficar oscilando?

Fazer a prática de acordo com o que é instruído pelo seu professor e buscar a ele por instruções mais profundas ou sugestões de correção a sua prática. Não buscar conselhos de prática via internet.

Pratico o budismo há 5 anos. Tento meditar quase todo o dia por uma hora em média. Fico muito tempo em estado de paz mas, mesmo assim, às vezes, tenho pesadelos. Isso pode ser resultado de carmas passados, de vidas anteriores?

Sim, mas o mais provável é que esse tempo de prática seja pouco ou esteja sendo praticado sem eficiência. Você precisa se informar com o seu professor. Após 5 anos de prática você ainda tenta resolver suas questões de meditação pela internet, de forma anônima? Isso é um terrível indício.

O Darma é a única coisa que me parece fazer sentido seguir. Tenho uma imensa convicção disso, de coração. Mas às vezes me pego esquecido disso, me empenhando na experiência cíclica, como se eu nunca tivesse conhecido o Darma. Isso me dá medo! O que fazer?

Keep going, é o que o Rinpoche sempre dizia. Essa é a experiência de todos os praticantes, e a prática é se recolocar vez após vez na integridade do reconhecimento do Buda como inseparável em corpo, fala e mente do professor, da sanga e de nós mesmos.

Ao perceber a raridade de se entender e praticar o Darma pode surgir um materialismo espiritual, um certa arrogância em relação à vastidão de seres que não consegue nem se aproximar disso. Como lidar com isso?

Há diversos modos de lidar com isso. No mahayana todos os seres são vistos como nossas mães. Então nós sofremos pela falta de visão deles, e então fica difícil desenvolver orgulho.

No vajrayana esse orgulho é utilizado, do jeito que vem, na prática. Mas isso requer um professor — que normalmente nos coloca no nosso lugar. Algumas vezes o mestre fica jogando você do centro para a periferia da mandala, e vice-versa, vez após vez, até você abandonar os conceitos de proximidade e afastamento, e desenvolver efetiva equanimidade pelos seres.

Após uns dois anos frequentando um centro budista percebi que minha vida melhorou bastante, mas não consigo me libertar do medo de ficar em dificuldade financeira, mesmo sabendo racionalmente que o dinheiro é impermanente. Existe alguma prática para eliminar isso?

Generosidade constante com dinheiro: para com mendigos, para com centros de darma e professores.

O sábio, em sua sabedoria, não deve perturbar a mente do ignorante?

A sabedoria naturalmente não é perturbadora a ninguém. Uma pessoa que possua sabedoria não precisa seguir preceitos ("deve isto", "não deve aquilo"). Se ela sabe, ela não tem deveres, ela faz o que está de acordo com a sabedoria.

Isso falando de um Buda, que possui sabedoria última. Se você está falando de meros saberes, bem, evidentemente que nem uma pessoa assim não deve pensar em si mesma como "um sábio". Essa noção é prejudicial.

Por outro lado, a sabedoria é diretamente perturbadora para a ignorância. Então realmente podemos nos sentir perturbados por seres sábios. É nossa honestidade para com nós mesmos e nossa perseverança na prática que devem nos guiar nesses momentos. São bênçãos.

Retorne ao índice. Envie suas perguntas, correções e sugestões para padma.dorje@gmail.com. Última alteração em 2013-10-25 21:05:43.




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